domingo, 7 de setembro de 2014

A ESCOLA ESTADUAL DOUTOR JOÃO DE AZEVEDO CARNEIRO MAIA SUA HISTÓRIA E SEU PATRONO.

Este artigo tem como objetivo apresentar um estudo preliminar primeira escola que pública atuou e atua em Resende na antiga Província  do Rio de Janeiro no século XIX, numa busca do que representa socialmente. A análise dos elementos da representação social desta unidade escolar e seu patrono nos ajudarão a entender um pouco mais sobre história da educação em Resende bem como da região do Vale do Paraíba Fluminense no período da produção pós-cafeeira e suas interfaces com sociedade.

Palavras-chave: Representações sociais. Educação. Escolas.
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 Todos nós sabemos que a educação é fator preponderante ou principal para o desenvolvimento de um país ou região, e não mero elemento de visualização de crescimento, mas um efetivo instrumento de melhoria de desempenho nas mais diversas áreas de melhoria dos níveis de qualidade de vida econômica e social.
      Assim sendo, é necessário conhecer a história de nossas escolas para sabermos em que contexto elas foram criadas, sua organização, que cursos ofereciam, quais foram às atividades cívicas comemoradas e promovidas em cada período de sua existência. Quem foram seus dirigentes, seus professores e tantos outros aspectos próprios das pesquisas não quantitativas, mas com um foco extremamente  qualitativo onde podemos aprender mais, não só sobre  as escolas como um todo, mas também quem eram aqueles que trabalhavam no ambiente educacional. De outra maneira tal estudo nos dá possibilidade de conhecermos a história de uma das unidades escolares através do resgate de seus documentos históricos, documentos de extrema importância para o reconhecimento histórico, pois conseguem registrar o dia-a-dia das atividades das unidades escolares.


            Pensando neste mundo da educação é que colocamos o nosso objetivo que é resgatar ainda de forma preliminar, informações sobre a educação em Resende através de fontes de consulta primária para que os estudiosos e memorialistas da História da Educação, especificamente possam dar vida e voz à memória das antigas unidades escolares de Resende no nosso caso a Escola Estadual Doutor João de Azevedo Carneiro Maia. Fundada numa época em que em nossa região do Vale do Paraíba Fluminense, Resende não se despontava mais no cenário econômico, ainda que no passado tivesse sido pioneira na produção cafeeira, mas também como foco dispersor desta cultura para outras regiões do país.

Assim, nosso estudo começa pelo primeiro relato ou registro sobre a educação na então Vila de Resende. Saint-Hilaire, quando de sua viagem às Províncias de Minas Gerais e São Paulo, de passagem por Resende, fez o seguinte registro:
Quanto mais me aproximo da Capitania do Rio de Janeiro mais consideráveis se tornam as plantações. Várias existem também  muito importantes perto da Vila de Resende. Proprietários desta redondeza possuem 40,50,60 e até 100 mil pés de café. Pelo preço do gênero deve estes fazendeiros ganhar somas enormes. Perguntei [...]em que empregavam o dinheiro.  – O senhor pode ver [...]que não é construindo boas casas e mobiliando-as. Comem arroz e feijão. Vestuários também lhes custa pouco, nada gastam com educação dos filhos que se entorpecem na ignorância , são inteiramente alheios ao prazeres da convivência mas é o café que lhes traz dinheiro. Não se pode colher café senão com os negros; é pois comprando negros que gastam todas as rendas e o aumento da fortuna se presta muito mais para lhes satisfazer a vaidade do que  para lhes aumentar o conforto.[1]

Sabe-se, entretanto, que a educação começa a tomar forma no Brasil e em suas regiões  a partir da independência. Segundo o professor Chrysógono Cavalcanti[2] em seus estudos sobre a educação em Resende, em 1824 a municipalidade pediu ao Imperador D.Pedro I que fosse criada duas escolas de primeiras letras e uma Aula de Latim que teve como primeiro mestre o Padre Thomaz Villa Nova Portella.
Numa visão da história econômica da região do Médio Vale do Paraíba, Resende foi citada por Zaluar  na década de 1860, como a mais importante das povoações do Vale. Uma vez que era através de Resende que convergiam os produtos de parte das províncias de São Paulo e Minas para o mercado da corte.  Segundo o historiador Claudionor Rosa no final do século XIX registra-se a instalação da escola complementar, depois Grupo Escolar denominado Hilário Ribeiro, dirigido pelo Professor Epiphanio Martins. Abrigada numa casa simples, próximo a Loja Maçônica Lealdade e Brio, área onde funcionavam outras escolas (particulares), inclusive na Maçonaria. Ainda recém-criada esta escola participou com muito brilhantismo dos festejos promovidos por conta do primeiro Centenário de Resende a 29 de Setembro 1901.
No ano de 1906, os grupos escolares foram substituídos pelas escolas complementares, mudando a denominação dentro da nova nomenclatura organizacional. Nesta altura era dirigida pela Professora Maria Alice Torrezão, Resende cresceu e houve um aumento da demanda pela população fazendo a escola ficar pequena para o atendimento.

Assim no dia 1 de junho de 1911 antiga  Escola Complementar  e Grupo Escolar Hilário Ribeiro teve oficialmente seu nome modificado para Grupo Escolar Doutor João de Azevedo Carneiro Maia. Em 15 de março de 1925 a  escola recebe um novo prédio construído num terreno doado pelos descendente do Barão de Bananal, Luiz da Rocha Miranda. O Governo do estado do Rio de Janeiro construiu a praça Dr. Oliveira Botelho um prédio escolar em estilo colonial, preparado para um efetivo de mais de 400 alunos, nesta época a escola contava com um efetivo masculino de  115 alunos e  feminino de 288 alunas, todos sobre a direção da Professora Maria  da Gloria Peixoto Santos. Então a Escola recebe o nome de seu novo Patrono Doutor João de Azevedo Carneiro Maia, nascido em Resende, Estado do Rio de Janeiro, no dia 21 de maio de 1820, na rua da Independência, hoje Rua Dr. João Maia. Filho do Comendador Bento de Azevedo Maia e de Antonia Carneiro Maia. Realizou seus primeiros estudos em Resende, e com 16 anos matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo, bacharelando-se em 1843. Sua primeira banca de advocacia foi em Bananal, São Paulo,onde se casou pela primeira vez com Cândida de Almeida, na Matriz da mesma cidade, no dia 17 de novembro de 1855. Juntos tiveram dez filhos. Casou-se pela segunda vez, com Luiza de Almeida Maia na Matriz de Resende, no dia 16 de maio de 1873, e deste segundo matrimônio nasceram nove filhos.
Intelectual vigoroso, como jornalista, poeta, historiador e jurista. Abdicou aos mais importantes cargos, tais como, de deputado provincial por São Paulo e de vice-governador da Província do Rio de Janeiro. Foi condecorado com o título imperial de oficial da Ordem da Rosa, pelos serviços prestados à Nação durante a guerra do Paraguai. Foi na imprensa regional que encontrou o meio adequado à discussão e à pregação das ideias que defendia o Municipalismo. Como advogado militante, e orador fluente, deixou nos anais do foro de sua cidade, a lembrança de êxitos memoráveis. Também, ocupou por diversas legislaturas a Vereança na Câmara Municipal de Resende.
Foi liberal, republicano e abolicionista, orador eloquente nas afirmações mais audaciosas, no sentido de fomentar transformações na estrutura do Estado e na Municipalidade. Sua obra-prima foi "O Município"[i], escrita em 1878. Inicia sua obra com a história das "comunas" na Europa, em todos os tempos e nas mais diversas regiões do mundo, tendo sido um verdadeiro laboratório experimental, para que se repensasse as nossas antigas estruturas de heranças da estrutura colonial quanto à ordenação da rés pública.

Segundo analistas de sua obra, foi consequente e conclusiva, pois traçou um sistema de organização municipal; recomendou os princípios que deviam ser elaborados como dedução lógica da reforma constitucional de 1834; indicou as razões de direito público que deviam estender às assembleias municipais, poderes semelhantes aos que foram conferidos às assembleias provinciais. João Maia estuda a vida municipal, desde os tempos primitivos, apresentando as Comunas Indianas, antes mesmo da existência da existência do Município dentro da ordenação romana. Descreve a respeito do Municipalismo em Roma e na Gália, e explicita como as liberdades comunais francesas resultaram do próprio esforço e não da generosidade da realeza. Entre suas ideias se vê seus ideais liberais nas seguintes citações : , "O homem devia ser livre, no município livre" e “as conquistas do povo, não foram fontes de concessões e generosidades, mas feito das lutas e sacrifícios das populações".
Em 1891 publica "Notícias Históricas e Estatísticas do Município de Resende, desde a sua fundação", principal registro da história do município em que nasceu traz de forma fantasticamente bem elaborada elementos da cultura, da história e cotidiano da população de Resende. 

Sobre Doutor João Maia vale apresentar a visão de José Luiz de Almeida no seu livro "A Academia de São Paulo -Tradições e Reminicências", salienta a personalidade de João de Azevedo Carneiro Maia como aluno da faculdade, quando se ocupa dos estudantes de 1843. O escritor dedica algumas linhas aos colegas de João Maia, mas a este se refere em várias páginas da sua interessante obra. Spencer Vampré em "Memórias para a História da Academia de São Paulo", à página 320, declara que dentre os alunos da turma de 1843 citará apenas um - João de Azevedo Carneiro Maia, o autor da monografia "O Município". Distingue-o como um poeta de delicada e suave inspiração, mas também de mordacidade irreverente e sátira. Paulo do Vale no "Parnaso Acadêmico" à página 81, também se refere com palavras de elogio e louvor ao espírito brilhante de João de Azevedo Carneiro Maia. Sacramento Blake, no seu "Dicionário Bibliográfico Brasileiro", consigna a obra de João Maia (volume III, pág.333) Dr. João A.C.Maia, foi o autor do mais importante livro histórico sobre Resende em 1891: "Notícias Históricas e Estatísticas do Município de Resende desde a fundação"e também da lenda indígena "O Tymburibá" considerada uma das melhores do gênero na ocasião.
Após grandes feitos nos campos públicos, político, cultural, histórico, literário Doutor João Maia vem a falecer em Resende no dia 2 de Dezembro de 1902, está sepultado no Cemitério do Senhor dos Passos onde sua campa foi reformada por ocasião do centenário de seu falecimento.

Bibliografia

BOPP, Itamar.  Casamentos na Matriz de Resende.  Instituto Genealógico Brasileiro, 1971.
____________. Notas Genealógicas.  São Paulo, Gráfica Sangirardi [S. D.]1987.

COUTINHO, Mario Maia, `O Pai do Municipalismo´ Estudo biográfico do Dr João de Azevedo Carneiro Maia,contendo a monografia completa de `O Município´. Editora Patrimônio  São Paulo /1962.

MAIA, João de Azevedo Carneiro. do Descobrimento do Campo Alegre À Criação da Vila de Resende. [ S.Ed] , 1886.
________. Notícias Históricas e Estatísticas do Município de Resende desde A sua fundação . Rio de Janeiro, 1891 [ Monografia] .
_________ ,O Município, publicada em 1878,através de artigos na imprensa,editada em 1883 (Typ. de G. Leuzinger & Filhos - Rio de Janeiro).
_________,Lenda do Tymburibá  ( Thema Indígena) Tipografia do jornal `OTymburibá´- Resende / 1883- Maia, João de Azevedo Carneiro - `Notícias Históricas do Município de Resende , desde a fundação´-Typographia da Gazeta de Notícias  Rio de Janeiro / 1891.
PEDREIRA, Jose Rodrigues, RESENDE EM REVISTA , Resende –RJ Ed.Gazetilha –Volta Redonda RJ 1975
PIZARRO, José de Sousa Azevedo.  Memórias Históricas da Província do Rio de Janeiro , 1820.
ROSA, Claudionor; org., Dilma Ferreira Miranda, Eny Marinho Mattos, Lourdes Maria Almeida, Rosa Maria Rodrigues Muniz Costa – Paróquia de N. Senhora da Conceição: uma história de fé. RTN Editora Patronato. 2005 Resende-RJ
ROSA, Claudionor; Centenário do Colégio Dr. João Maia, in http://wikimapia.org/13011920/pt/Col%C3%A9gio-Estadual-Jo%C3%A3o-Maia acessado em 12/01/2014 18:53.Resende-RJ

SAINT- HILAIRE, Auguste de. Viagem À Província de São Paulo. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1976.

_______ .Viagem Pelas Províncias do Rio De Janeiro e Minas Gerais. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1978. (Início Do Século XIX).

_______ 1822. Segunda Viagem do Rio de Janeiro A Minas Gerais e a São Paulo. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp

SODRÉ, Alfredo.  Resende, Os Cem Anos da Cidade.  [S.Ed]
WHATELY,Maria Celina, O Café em Resende no Século XIX, Ed.José Olympio, Rj, 1987.
______________, Resende, A Cultura Pioneira do Café no Vale do Paraíba, Niterói-RJ :Ed Gráfica La Salle , 2003.
______________, &  Maria Cristina  F.M. Godoy –ARDHIS –Academia Resendense de História.Resende, Crônicas dos Duzentos Anos, Resende-RJ :Ed Gráfica La Salle 2001

Revista : Resende 150 anos de Cidade (l848-1998) Academia Resendense de História – ARDHIS – Publicação Comemorativa /Julho 1998 – Ed.Gráfica do Patronato – Resende—RJ
Revista dos Municípios ,Maia, João de Azevedo Carneiro - `Vultos do Municipalismo Brasileiro´ (Separata da `Revista dos Municípios´-Ano II  Nº 6  Rio de Janeiro / 1949).

Almanak Laemmert de Resende – Universidade de Chicago. Disponível–site :www.crl.uchicagoo.edu
Almanaque Laemmert. 1850-1856. Município de Resende
Almanaque Laemmert. 1868-1877.Município de Resende
Relatório Presidente de Província - Universidade de Chicago.Disponível site :www.crl.uchicagoo.edu
Jornais e Periódicos da Região
A.      Astro Resendense. 1865-1873.
  1. O Itatiaia. 1876-1890.
  2. “Almanack do Centenário de Rezende para Anno de 1902” – Ed. Typographia e Papelaria “Fonseca” – Resende-1902.

Fontes telematizada:
Biografia de Dr. João de Azevedo Carneiro Maia: http://www.e-biografias.net/joao_azevedo/acessado em12/01/2014 19:33:03.


[1] Saint-Hilaire. Segunda Viagem do Rio de Janeiro a Minas Gerais e São Paulo,1822. São Paulo e Cia.Ed. Nacional, 1932 , p.212.
[2] Artigo Prof.Chrysógono Cavalcanti (Prof.de História / Direito /Quadro Magistério do Exército – AMAN)– A Educação – Resende 150 anos de cidade (1848-1998)Academia Resendense de História – Julho 1998 p.54




[i] Obra editada 1883 e oferecida as Câmaras Municipais do Brasil, tratado de administração Pública que é marco filosófico e metodológico da administração e gestão pública.

sábado, 12 de julho de 2014

Ao 166º aniversário de Elevação da Vila de Resende a Cidade

Julio Cesar Fidelis Soares[1]

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Resumo

Ao lembrar da passagem dos 166 anos de Elevação da Vila de Resende a Cidade é que resolvemos escrever este texto, no qual relato de forma memorialista alguns fatos da história de Resende e ao final reflito um pouco sobre a realidade da industrialização que voltou os focos da mídia econômica para a cidade desprezando toda uma história de nossa região que ainda é e será importante para história econômica do Brasil e da Região Sul Fluminense.

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A História do município Resende perpassa por vários episódios da História do Brasil; pois Resende é marco zero de um dos ciclos econômicos mais importantes do processo de formação econômica de nosso país. Nossa cidade é pioneira na produção de Café para fins econômicos, foi berço da expansão econômica dessa cultura para as províncias de São Paulo, mais diretamente para a vizinha cidade de Bananal, a outras regiões de própria província do Rio de Janeiro e sul de Minas e a zona da mata mineira. Oliveira Viana enfatiza muito este fato com relação à Resende da seguinte forma:
“ Há a diretriz de Rezende, donde se originam as grandes culturas do Vale do Paraíba, mata mineira e dos chapadões paulistas. É ,pois, em território fluminense que a cultura do cafeeiro faz sua pioneiras experiências, dá as suas primeiras provas de vitalidade e lucratividade , organiza-se , e prepara-se para conquista dos grande plateaux do interior . O êxito inicial dos primeiras tentativas no nosso território , principalmente no foco de Rezende, exerceu certamente sobre o destino da grande cultura uma influência decisiva : tivesse sido negativa a experiência – e talvez fosse outro destino do café nas nossas regiões meridionais.”[2]


 Hoje, novamente, somos centro de confluência das atividades econômicas de mais relevante monta para a região sudeste, Resende é importante pólo de Industrialização. O que é isso? Isso mais uma vez é fazer história. Resende é e sempre foi importante para o processo de formação econômica do Brasil, seja como ponto inicial de abastecimento da capital do Brasil Colonial, seja depois como líder do grupo de cidades que fizeram parte da Civilização Cafeeira chegando a se cogitar, no final da segunda década do século XIX, a ser capital de uma nova província que se chamaria “Província de Resende”, conforme registro em 4 de Agosto de 1829, Câmara Municipal de Resende  livro de Ata.
Àqueles que assistem a essa comemoração faz todo sentido do mundo neste momento lembrarmos do trecho do poeta Luiz Pistarini no hino à Resende “ ... terra de artista, poetas e heróis...”. Falar de Resende é falar do Brasil, pois para cá vieram brasileiros dos mais longínquos rincões de nossa pátria, paulistas, mineiros, gaúchos, baianos e tantos outros.
 E isso é tão verdade que, a partir de 1944, quando da vinda da Escola Militar para Resende isto ficou mais forte, pois ao longo dos seus 70 anos de existência em nossa cidade cada oficial formado em seus umbrais leva muito dos ideais do Marechal José Pessoa Cavalcanti em querer que cada um que passasse por nossa terra levasse a fortaleza de formação simbolizada pelo imponente maciço de Agulhas Negras. Elemento simbólico este que acabou ficando como marca da Academia Militar e dando-lhe nome.
Nossa Resende participou e participa através de seus filhos de diversos eventos de importância para História de nossa Pátria e cito alguns movimentos: o de independência do Brasil até o dia de sua Proclamação, Revolução Liberal, Guerra do Paraguai, Abolição da Escravatura, República, Revolução de 1930, Revolução de 1932, Revolução de 1964 e outro tanto fatos.

A elevação de Resende a cidade

Segundo o célebre historiador Resendense Dr.João Maia, a elevação se deu da seguinte  forma :

“Foi a vila de Resende elevada à categoria de cidade por decreto nº 438, de 13 de julho de 1848, tendo lugar a sua inauguração aos 27 de agosto do mesmo ano nos paços da câmara municipal, incorporada para esse fim, e com assistência das autoridades locais, das pessoas mais gradas e de numeroso concurso de povo. Teve princípio a solenidade pela leitura do decreto, seguida de uma alocução breve mas expressiva, feita pelo presidente da câmara, Dr. Pedro Ramos da Silva. Assistiram a esse ato, por parte da câmara de Barra Mansa seu presidente Manuel Carlos de Barros e os vereadores João Antônio Basques, José Marcondes de Toledo e Domingos Rodrigues Viana. Terminou a cerimônia com um Te-Deum celebrado em ação de graças na igreja matriz, pregando ao púlpito o reverendo Padre José Álvares Leite, residente na vila de Areias, seguindo-se, à noite, uma brilhante iluminação na frente do edifício municipal e mais festividades em testemunho de público regozijo. Com o cidadão Manuel Gonçalves da Rocha e outros, coube-nos (Dr.João Maia) o prazer de fazermos parte da comissão encarregada de promover todas as cerimônias e festejos da ocasião.
A ata ou termo de inauguração acha-se lançada em um livro antigo da câmara, o mesmo em que havia sido escrito o auto da criação da vila, em 1801.”


Da Resende do século XIX pouca coisa resta, pois não soubemos cultuar e preservar o passado sabendo que ele nos ensina muito. Tal qual o café temos o sentimento que a indústria automotiva tem demanda passageira em termos de história econômica, pois como nuvens de gafanhotos são certas atividades econômicas, saceadas suas vontades abandonam determinadas áreas e correm para outras. E assim ocorreu com este seguimento industrial em outras partes de nosso país e no exterior, ainda mais que o grau de automação os livram cada vez mais de um efetivo humano grande. Para alguns pode ser muito tempo para que tal fenômeno ocorra, mais para a História Econômica representam um curto período que afetam as regiões com causas e conseqüência muitas vezes irreversíveis do ponto de vista social e econômico. Fato é que hoje Resende é uma cidade industrial, mesmo que vivamos numa era pós-industrial. O mundo desenvolvido vive a era do Conhecimento, a produção intelectual vale mais que a produção material agora deixada para os países “em Desenvolvimento” seja lá o que isso signifique; pois na verdade o que ocorre em termos econômicos são países subdesenvolvidos nos mais diversos graus e países desenvolvidos também com grau de desenvolvimento díspares, ou seja, para resumir  pobres e ricos.  


Bibliografia

Fontes Primárias

Relatório do presidente da província do Rio de Janeiro, o doutor Luiz Pedreira do Coutto Ferraz, na abertura da 2.a sessão da 7.a legislatura da Assembléia Provincial, no dia 1.o de março de 1849, acompanhado do orçamento da receita e despesa para o anno financeiro de 1849 a 1850. Rio de Janeiro, Typ. do Diario, de N.L. Vianna, 1849. 779
BN .

Almanack  administrativo Mercantil e Industrial da Corte e Província do Rio de Janeiro para o Anno de 1847.

Almanack  administrativo Mercantil e Industrial da Corte e Província do Rio de Janeiro para o Anno de 1848.

Almanack  administrativo Mercantil e Industrial da Corte e Província do Rio de Janeiro para o Anno de 1849.

MAIA, João de Azevedo Carneiro. Do descobrimento do Campo Alegre até a criação da Vila de Resende. 2. ed. Resende, 1886.

OLIVEIRA ,Viana ; “Distribuição Geográfica do Cafeeiro no Estado do Rio”, in “O Café no 2º centenário de sua introdução no Brasil . Rio de Janeiro: Ed.do Departamento Nacional do Café, 1934 Vol .I pág. 80.





[1] Mestre em História Social, Professor Universitário –Resende-RJ, da UGB Volta Redonda – Membro da Academia Resendense de História e da Academia de História Militar e Terrestre do Brasil.
[2] Oliveira ,Viana ; “Distribuição Geográfica do Cafeeiro no Estado do Rio”, in “O Café no 2º Centernário de sua introdução no Brasil -  Ed- do Departamento Nacional do Café – Rio de Janeiro , 1934 Vol .I

sábado, 24 de maio de 2014

Transporte de Café pelo Rio Paraíba do Sul no século XIX: de Resende à Barra do Pirahy


Julio César Fidelis Soares[1]


Palavras-chave: Transporte; Café; Economia
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Ponto importante para iniciarmos este estudo é ir buscar as origens do antigo arraial de Nossa Senhora da Conceição do Campo Alegre da Paraíba Nova (que foi o nome primitivo de Resende), e que deu os seus sinais de vida lá pelos anos de 1747 e passou a se chamar Vila de Resende [2].
            As primeiras mudas de café trazidas pelo padre Couto[3] da fazenda do holandês Hoppman no Rio de Janeiro, foram plantadas como experiência na região de São Vicente Ferrer (atual vila da Fumaça), mais precisamente na Fazenda Monte Alegre, depois de confinar os índios Puris na aldeia de São Luiz Beltrão, próximo do mesmo lugar que começaram a plantar os cafezais.
            Os motivos que explicam o fato de ser Resende o centro irradiador do café pelo Vale do Paraíba podem ser muitos e, até hoje foram pouco estudados. Dentre esses estímulos prováveis, podemos citar: a) os aspectos geográficos da região do "Campo Alegre" (Resende), que apresentava uma boa baixada, um solo propício e um clima favorável; b) a proximidade do Rio de Janeiro, que funcionaria como porto para a exportação; c) a atuação estimulante do Marquês do Lavradio, representante do governo de D. João VI que, a partir de 1772, dispensou do serviço militar os habitantes da região que plantassem café. Portanto, todos esses elementos uniram-se para criar as condições necessárias à chegada do café por essas paragens.
            Em 1802, Resende já era exportadora de café e, a partir daí, a região sofreria uma grande mudança. O início do reinado do café começou mudando, aos poucos, toda a economia da região. Se até antes da chegada do café, os poucos habitantes do arraial e redondezas do "Campo Alegre" plantavam e beneficiavam de cana-de-açúcar, cuidavam de plantações de anil, criavam algum gado (vendendo carne para Minas e Rio), tudo, a partir do século XIX, estaria sujeito à novidade cafeeira. Antigas fazendas de gado, engenhos de açúcar e cachaça, plantações de anil, passavam a plantar. Outras plantações como as de milho, feijão, arroz e mandioca passaram a alimentar as fazendas de café e as sedes dos núcleos urbanos dentro de um sistema de apoio e subsistência. Entretanto o café já impunha o seu poder quase absoluto como cultura comercial destinada à exportação.
            Quando a Vila de Resende passa a ser considerada como cidade em 1848 [4], a região resendense já se destacava como um dos maiores centros cafeicultores da província. Já estávamos no Segundo Império e o reinado de D. Pedro II esteve marcado pela expansão do café pelo Vale, salvando, progressiva e lentamente, o Império da falência financeira econômica que estava sujeito após a Independência. Ao falarmos em Império devemos sempre nos lembrar do café, em um outro aspecto fundamental, ter garantido para Império seu sustento político através das elites agrárias e na escravidão negra como força motriz da economia agroexportadora. Confirmada pela Constituição de 1824, garantindo o tráfico até 1850 e possibilitando a compra maciça de mais braços para lavoura do café.
            No entanto, apesar de toda essa euforia cafeicultora, a região de Resende nunca ocupará o lugar de maior produtora de café da Província do Rio de Janeiro.  Resende foi grande centro produtor, mas não o maior. Mesmo que no início do século XIX, seja a Vila de Resende o centro irradiador do café, espalhando-o por todo o Vale do Paraíba, será Vassouras, Valença, Paraíba do Sul, Barra Mansa e Piraí que possuirão as maiores fazendas e também a maior produção.
            Uma das maneiras de compreender este fato é comparar o volume de pequenos e médios produtores face aos de outras regiões do vale.





Estudo quantitativos referentes ao número cafeicultores listados no porto
de Angra dos Reis 1868[5]

Fonte: Nosso estudo apud Pereira, Waldick, Cana, café & laranja: historia econômica de Nova Iguaçu. Rio de Janeiro 1977.Anexos

Porém, sabemos que neste mundo comercial do café Resende era uma praça agitada fazendo nos primórdios o abastecimento da corte através das rotas dos tropeiros que se dirigiam para as Minas Gerais vindo do litoral e vice-versa. Nos primeiros momentos o transporte do café de nossa região era feito através do carregamento pelos escravos que iam a pé pelas trilhas tropeiras, mais adiante passou-se a usar o carro de boi que embora lento carregava mais sacas. Logo o café também se mostrou um produto lucrativo como carga para os tropeiros e aí tínhamos tropas e mais tropas carregando o ouro verde da região do Vale do Paraíba.
Nesse ambiente da produção cafeeira que surge a ideia de transportar mais café até o porto de forma talvez mais rápida em grande quantidade. Buscamos o relato de João Maia que referencia em sua obra a primeira tentativa de transporte fluvial pelo Rio Paraíba carregando café:
“Chegando a Estrada de Ferro de Pedro II à Barra do Pirahy, José de Souza Azevedo, natural da cidade de Barra Mansa, emprehendeu pela primeira vez a navegação do rio Parahyba em um barco de fundo raso, à semelhança dos que sulcam o rio Douro, com onze metros de popa à prôa e três de largura; partindo d´aquella cidade a 20 de Janeiro de 1860...” [6]

Fomos então buscar visualizar o que foi descrito por Maia no trecho citado acima e em nossas pesquisas iconográficas chegamos à imagem que apresentaremos abaixo. Segundo o que pesquisamos o barco de fundo raso do D`ouro é denominado barco Rabelo é um barco de espadela[7] - ramo que governa o barco e está sujeito a um eixo tornel. Possui, ainda, dois remos de cada lado e fundo chato - o sagro - constituído por um número ímpar de tábuas. Tem forma lenticular. Há autores que defende uma origem Sueva, outros Visigótico ou até Viking[8]. Transportava vinho, lenha, madeira, carvão, fruta, palha, batata e outras mercadorias; ou seja, é tradicionalmente um barco de transporte de mercadorias de vias fluviais.

Fig. 1 – Imagem de Barcos Rabelo às margens do Rio D´Ouro, Portugal.

João Maia relata ainda que em uma publicação do Astro Resendense de 15 de agosto de 1868 foi publicado um artigo assinado pelo Dr. Joaquim dos Remédios Monteiro elogiando o ato venturoso de José de Souza.  Em outro trecho de sua obra ele nos diz que em Resende um espanhol de nome João Vasques foi o primeiro que construiu e pôs a navegar no rio um barco.  Estes barco segundo João Maia podiam transportar de 700 até 1000 arrobas e que chegaram a mais de 60 o número de embarcações que faziam o transporte pelo rio Paraíba desde Resende até como ele diz “Barra do Pirahy”.
 





Fig.2 – Pintura ilustrando transporte por barcas,“Partida de uma monção” - Almeida Júnior. Batelão no século XIX. A ilustração nos traz logo a lembrança das ribeiras do velho Paraíba do Sul.

            Assim ao pesquisarmos os registros sobre a navegação no Rio Paraíba partindo da praça cafeeira de Resende, m Alferes Joaquim Rodrigues Antunes.eres Francisco da Rocha Bernardes e o tambde Jochegamos ao registro do nome de João Vasques como proprietário de Barcos no Rio Paraíba, tal referência consta do Almanack Laemmert do ano se 1863, onde apresenta mais 15 outros nomes como proprietários de embarcações. Dentre esses chamou-nos a atenção a vinculação da propriedade de embarcações com “casa de commissão de café” e “Productos de Minas” cujos proprietários citados são: Antonio José da Costa, Francisco Gomes Leal, Alferes Francisco da Rocha Bernardes e o também Alferes Joaquim Rodrigues Antunes. Um outro aspecto que devemos observar é que esse tipo de meio de transporte veio baixar os custos da economia de abastecimento entre nossas cidades do Vale do Paraíba dando também velocidade no suprimento de gêneros e no abastecimento da região e da corte com produtos vindo das minas.
Segundo ainda João Maia, até o ano 1873, quando chega a Resende a Estrada de Ferro D. Pedro II, todo o transporte de carregamento era feito por via fluvial através dos já famosos barcos do Rio Paraíba. Ele nos brinda ainda com a seguinte comparação do ponto de vista econômico:

“...o preço do frete, que para os portos de Jurumerim e Ariró importava 2$ por arroba, além de 5 a 6 dias de demora na viagem das tropas, ao passo que pelo rio o trajecto se fazia até Pirahy em 24 horas, e o frete não excedia de 400 rs por arroba.” [9]

Entretanto, sabemos que ninguém para ou parou o progresso e em 9 de agosto de 1864 chega a Barra do Piraí a primeira composição com passageiros. Eram os ecos do progresso chegando ao porto das barcas de café. Então, pelos idos de 1869 um proprietário de terras e barcos, o Alferes Joaquim Rodrigues Antunes, resolveu bancar em suas terras uma terraplanagem que poderia servir bem para um traçado de passagem de uma linha ferroviária. Cedeu ele ainda outra parte de suas propriedades para construção de uma estação e um pátio de manobras. E assim segundo o Cel. Alfredo Sodré: “o certo é que em fevereiro de 1873, a primeira locomotiva a Princesa Imperial – alcançava, silvando estrepitosamente, a estação de Resende, em Campos Elíseos”.[10] Fato que acabou por constituir uma lenta e certa paralisação da atividade do transporte fluvial do rio Paraíba do Sul. Em nossas pesquisas vimos que nos primeiros anos da década de 60 do século XIX é que se constituiu o período áureo deste tipo de atividade econômica que apoiava a produção cafeeira. O que apresentamos através do gráfico abaixo construído a partir de nosso levantamento.

Gráfico 1- fonte: Almanaque Laemmert – 1862 até 1866

A importância da navegação fica patente e é reforçada a partir de um dos documentos da Câmara Municipal registrado em ata do dia 27 de novembro de 1861 onde apresenta a importância deste meio de transporte para economia cafeeira de Resende bem como ainda a intenção de melhorias no desenvolvimento de tal meio. Assim apresentamos abaixo a transcrição de um trecho da ata.

[...] com a falta do nosso primeiro ramo de exportação o café – faltando este falta o dinheiro:não há neste município industria alguma ,ou fábricas dignas de menção. Quanto as medidas para nosso desenvolvimento,entende a Comissão ,que a primeira e a mais vital necessidade deste município é o melhoramento de nossa navegação fluvial: o rio Parahiba ,pois onde ella é feita, tem algumas cachoeiras e passos difficeis e perigosos,que demandão promptos serviços para facilitar a navegação;não obstante este incaminhamentos ,já a exportação e importação vai sendo quase toda feita pelo Parahiba , por meio de barcas,o que he de incontestável vantagem. Com qualquer melhoramento no Parahiba quebrando-se algumas pedras, recuando outras e limpando-se huma das margens não só será mais fácil e rápida a navegação, como ainda menos despendiosa e sobretudo menos perigosa.[...][i] 

Outro elemento que corrobora quão foi importante a navegação, achamos no editorial do jornal Astro Rezendense[ii] dizendo que era uma realidade a chegada da ferrovia, mesmo porque já se tinha a autorização para se implementar um braço da Dom Pedro II a Estrada de Ferro de Rezende a Areas. Mas alertava o editorial que a atividade de navegação fluvial empregava trezentos braço e alimentava mil e quinhentos indivíduos e a partir do aparecimento das ferrovias tal atividade estava desaparecendo o que causou um grande golpe nos trabalhadores que o editor chamou de “população fluctuante”. Em outro aspecto o editorial vai mais longe dizendo que Resende era um centro de parada e transito das pessoas que iam e viam da corte para interior e vice versa e que ao findar esta atividade que era complementar na estrutura de transportes fez cessar completamente tal atividade gerando um golpe que o autor classifica como “mortal” para economia da região, gerando do ponto de vista imobiliário queda de aluguel e desvalorização dos imóveis.
Concluímos dizendo que já em 1872 o Astro Rezendense dava os prenúncios do final da atividade de navegação e fazia um severa crítica mostrando que a ferrovia não havia trazido o barateamento dos fretes como era o esperado para economia local, muito pelo contrario, talvez pela rapidez  passou a cobrar valores não tão vantajosos e ainda desmobilizou muitos setores que viviam da integração do transporte terrestre com o fluvial.


 Fig.3 - O Astro Resendense,13 de outurbro de 1872,acervo Arquivo Histórico de Resende.


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Figura 1: Barco do Douro (rabelo). Disponível em: <http://cidadesurpreendente.blogspot.com/2005/08/actualizada-arquitectura-do-rabelo-com_30.html>.
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[1] Mestre em História Social, Professor do Curso de Ciências Econômicas das Faculdades Dom Bosco, cadeiras de História Econômica, Formação Econômica do Brasil, História do Pensamento Econômico e Desenvolvimento Econômico. Professor do Centro Universitário Volta Redonda, Curso de Serviço Social.
[2] Em homenagem a D. José Luís de Castro, 2° Conde de Resende, que foi Vice-Rei do Brasil por onze anos, de 9 de maio de 1790 a 14 de outubro de 1801,  na mesma ocasião em que o café começa a ser plantado por aqui em 1801.
[3] Padre Antônio Couto da Fonseca, proprietário da "Fazenda do Mendanha" cujo nome se deve ao primeiro proprietário e poderoso senhor de escravos e grande produtor de açúcar e café, Luiz Vieira Mendanha, passou por mãos sucessivas até ser comprada por Padre Couto, que foi o grande protetor do sábio Freire Alemão, que iniciou sua vida como sacristão, na capela da Fazenda do Mendanha, onde aprendeu os primeiros rudimentos de latim com Padre Couto.
[4] Elevação da Vila à Cidade de Rezende: Decreto 438 de 12/07/1848 com a promulgação pela Assembléia Provincial no dia 06/07/1848. A resolução foi sancionada a 12/07/1848, pelo Chefe do Governo Provincial (Visconde de Barbacena). Foi publicada na imprensa oficial no dia 13/07/1848. Fonte: acervo documentação da Câmara Municipal de Resende – 1848.
[5] Este quadro foi composto e ordenado levando em consideração a produção apresenta por cada cafeicultor junto à mesa coletora conforme apontado pelo pesquisador Waldick  Pereira, a partir do qual fizemos a classificação e tipificação em pequenos, médios e grandes produtores.
[6] MAIA, João Carneiro de Azevedo: Notícias históricas e estatísticas do município de Resende desde a sua fundação.  Rio de Janeiro, 1891[S/Ed] p. 307.
[7] Remo comprido e largo que faz às vezes de leme nos barcos ou azurrachas do Douro.
[8] Barco do Rio Douro – História. Disponível em <www.geocities.com/j.aldeia/barcos/barcosriodouro.htm >. Acesso em: 4 maio 2009.
[9] MAIA, João Carneiro de Azevedo. Notícias históricas e estatísticas do município de Resende desde a sua fundação. Rio de Janeiro, 1891 [s/Ed.]. p.308.
[10] SODRÉ, Alfredo. In: Resende, os cem anos da cidade. Jornalista, Maçon,Coronel da Guarda Nacional, foi editor do jornal “O Tymburibá”, redator do jornal “A Lira”, primeiro prefeito eleito de Resende em 1922,Tabelião do 1º oficio de notas e  Provedor da Santa Casa de Misericórdia.Condecorado pelo Grão Mestre Geral da Ordem com Medalha de Ouro de Benemérito da Ordem.(é1865U1955).




[i] Ata Câmara Municipal de Resende,27 de novembro de 1861-Arquivo Histórico Municipal
[ii] Jornal Astro Resendense de 15 de junho de 1873 ed.N.4 Anno VIII - Arquivo Histórico Municipal

quinta-feira, 8 de maio de 2014

O florete e o Imperador



Julio Cesar Fidelis Soares**
**Economista,Mestre em História Social – Professor de História do Pensamento Econômico,História Econômica Geral,Formação Econômica do Brasil , Desenvolvimento Econômico. Docente do Centro Universitário Geraldo Di Biasi - Volta Redonda e Barra do Piraí e CETEP ResendeRJ FAETEC.
Membro da Academia Resendense de História,da Academia de História Militar Terrestre do Brasil e do Instituto de Estudos Valeparaibanos.

Nosso texto relata o episódio da visita do Imperador D. Pedro II que em 16 de outubro de 1874, que em visita a Cidade de Resende concede uma série de distinções a membros da comunidade local bem como a Loja Maçônica local. Nosso estudo vai do interesse em reforçar pesquisas anteriores, que mostram os laços de poder e a interação da cidade de Resende, através de sua elite com o poder imperial. Ao ponto do monarca vir prestigiar a sociedade resendense e agraciá-la, através de sua Loja Maçônica, com uma honraria do cerimonial da Corte, como forma de reforço das relações de poder vigente à época.
Símbolos do Poder:
As insígnias englobam objetos usados como sinais distintos, individuais ou coletivos que distinguem funções, postos, comandos e, sobretudo ligações de poder com as instituições de mando de uma sociedade.  No caso da nobreza brasileira do segundo reinado tais insígnias refletem a preocupação em valorizar a Nação bem como os dignatários ligados às instituições que formavam o poder constituído.  Assim, além das condecorações, direitos de uso de brasões, estandartes, flâmulas e vestimentas especiais, existiram a praxe da distinção com armas brancas cerimoniais como espadins e espadas à fidalguia da corte brasileira.

Fig.1- Serviçal da Casa Real acompanhado de sua escrava, nota-se claramente na bagagem carregada pela escrava a Alabarda e a Espada de Corte de seu dono e senhor. Imagem produzida por Jean B. Debret - “Aspectos da  Corte”.
A Resende de 1874
Segundo o Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial Laemmert, o município tinha uma população de 25.000 habitantes divididos por suas freguesias de Nossa Senhora da Conceição do Campo Alegre, São Jose do Campo Bello, Senhor Bom Jesus do Ribeirão de Sant`Anna, Santo Antonio da Vargem Grande e São Vicente Ferrer.
“Sobre um terreno notavelmente accidentado, cujo solo em sua maxima parte se pode chamar argilo-ferruginoso, o município de Rezende produz o melhor café , excellente canna de assuçar, cereaes e legumes de toda espécie.  Nas planuras do Itatiaya abundão as pastagens nativas, offerecendo assim recurso naturaes para a criação de toda espécie de gado; algumas fructas da Europa como maçã , o marmelo [...] .” (1)
 (1)Almanak Laemmert, edição 1874, Município de Rezende, p.125.
É importante destacarmos também que em outro trecho do mesmo almanaque ele nos traz notícia do plantio de parreiras cuja produção era abundante, e que houve algumas tentativas de produção de vinho, que se assemelhava ao do Rheno só que muito mais aromático segundo os editores do almanaque.
Figura 2 . Aspectos de Resende na Década de 1920 do século XX ainda guardando muito do século XIX.

O Casario
Ao estudarmos relatos sobre a cidade vimos que muitas casas eram remanescentes do período inicial da constituição da Vila de N. S. da Conceição do Campo Alegre, pois nos foi relatadas da seguinte forma pelo autor do almanaque “[...] bem pouco sólidas, pelo uso ainda em voga dos antigos e condemnados baldrames de madeira[...]”(2) .
(2)Idem, Almanak Laemmert, edição 1874, Município de Rezende.


Fig. 3 e 4 . imagens de Resende no século XIX, Casario na altura de antiga Rua Direito hoje XV de Novembro e Largo do Pelourinho hoje Praça do Centenário.

O Fato:
No dia 16 de Outubro de 1874, quando as chuvas são quase como certas em Resende, veio a notícia de que havia chegado à estação da ferrovia um comboio com vagão especial trazendo S. M. Imperial Dom Pedro II e sua comitiva. Momento este que ficou conhecido muito mais pela situação em que se encontrou a Comitiva Imperial ao encalhar-se num atoleiro que se fez com as chuvas na então Rua do Presidente, hoje Av. Albino de Almeida.
A comitiva de Sua Majestade fez inúmeras visitas, ao que parece que foi a oportunidade de conhecer o pai da poetisa Narcisa Amália, Professor Jacome Campos, que por relevantes serviços prestados foi agraciado com a comenda da Ordem de Cristo. Em outra oportunidade, o Imperador, que era um admirador da poetisa, quis cumprimentar a jovem, que morava nos fundos de uma padaria de propriedade de seu marido  na Rua da Misericórdia, localizada no Bairro Lavapés onde conforme o Almanak Laemmert  de 1874 existia um dos mais notáveis edifícios públicos, a Santa Casa de Misericórdia – “...vasto edifício, que apenas a terça parte acha-se em serviço.”
Figura 5 . Bairro Lavapés e sua famosa Rua da Misericórdia hoje R,Eduardo Cotrim. 

Sabedor da importância política, econômica e cultural de Resende é que pensamos que D. Pedro II resolve conhecer a Loja Maçônica  Lealdade e Brio que congregava os elementos de maior influência e expressão não só da sociedade local, bem como da região cafeeira do Vale do Médio Paraíba. Nesta época a já famosa Lealdade e Brio, localizada “ao Valle de Rezende” e pertencente ao Oriente unido do Brazil, tinha como dirigentes Dr. Jose Domingues dos Santos Junior (Vereador), Venerável Mestre; Dr. João Leme da Silva, primeiro Vigilante; Antonio Fernandes Carneiro Braga, segundo Vigilante; Flausino Jose Corrêa, Orador; e Sr. Alfredo Baptista da Silva (Escrevente Juramentado), Secretário. Formada a Comissão de Recepção a S. M. Imperial, a Lealdade e Brio preparou seção solene e festiva para receber a mais alta autoridade que jamais fora visitar autoridade que embora não pertencesse a ordem era “sobrinho ilustre” no jargão maçônico, filho do mais famoso Grão-Mestre Geral da Ordem, D. Pedro I.




Fig.6. Foto de D.Pedro II em 1876 dois anos depois de sua visita a Resende,acervo museu Imperial de Petrópolis.





Num clima de euforia, festiva e solene é que se dá a visita do Imperador Pedro II à Loja Maçônica Lealdade e Brio, fato ímpar não só no Vale do Paraíba como um todo e até mesmo na Corte, pois pelo que se sabe, embora vivesse ladeado por maçons das mais altas cepas como seus membros de governo nunca ele foi por vontade própria à sede da Maçonaria no Grande Oriente do Brasil localizado na Rua do Lavradio – o famoso “Palácio do Lavradio”. Entretanto, estando em Resende, manifestou a vontade de conhecer a Loja Maçônica e seus membros, por saber que tais componentes eram a expressão do poder em toda a Região do Vale, pois as lojas maçônicas foram grandes centros de discussões e de tomada de decisões, a respeito da vida política regional e nacional.


Fig.7 – imagem de punhos de floretes semelhantes ao presenteado por D. Pedro II  à  Loja Maçônica  Lealdade de Brio de Resende, província do Rio de Janeiro em 1874.


Fig.8 – imagem do punho de florete presenteado por D. Pedro II  à  Loja Maçônica  Lealdade de Brio de Resende, província do Rio de Janeiro em 1874.


O mais interessante nesta história é que poucas instituições receberam tal distinção do Imperador, uma que me recordo é a Irmandade de N. S. do Pilar de Ouro Preto; pois lá vi o registro de visita do Imperador e o espadim que presenteou a Irmandade e seus membros, o importante é notar que não era usual dar tal honraria a instituições, pois esta distinção era voltada a pessoas físicas que as recebiam como marca do título recebido do monarca. O segundo presente vejo como outro sinal de apreço com valor simbólico super interessante, ele presenteia a Loja com um sabre da sua Guarda de Honra, ou seja, de sua guarda pessoal. Fato que não me espanta, pois D. Pedro II, como estudioso e historiador que era, sabia do valor de peças simbólicas dentro da estrutura da maçonaria e também sabia do impacto político que tal ato acarretaria em toda a região, ainda mais em Resende que era base de um forte grupamento da Guarda Nacional e que tinha grande influência política nas figuras de seu Comandante Superior Coronel Fabiano Pereira Barreto, do Barão de Bananal Tenente Coronel Luiz da Rocha Miranda, comandante do 11º Corpo de Cavalaria de Resende, e do Capitão da GN Domingos Gomes Jardim.
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