quarta-feira, 8 de abril de 2015

REFLEXOS DE NARCISA - POETISA DAS NÉVOAS

por Julio Cesar Fidelis Soares[1]
RESUMO
Este artigo é um estudo preliminar sobre a poetisa Narcisa Amália que viveu em Resende, Província do Rio de Janeiro, no século XIX, numa busca do que representou socialmente esta mulher poetisa, abolicionista, espírita e republicana. A análise dos elementos da representação social desta escritora pioneira nos ajudará a entender um pouco mais sobre a história da literatura em Resende bem como da região do Vale do Paraíba Fluminense no período da produção cafeeira e suas interfaces com a sociedade brasileira da época.
Palavras-chave: literatura, história e poesia.
Falar de Narcisa Amália é sempre muito importante para lembrar-nos desta mulher que foi um marco para literatura poética na segunda metade do século XIX na região do Vale do Paraíba Flumimense, mais especificamente em Resende e do ela e sua obra representa para literatura poética e da prosa no ambiente regional, nacional e internacional.
Além de poetisa foi uma das primeiras jornalistas do Brasil[i], Narcisa Amália nasceu em São João da Barra na Província do Rio de Janeiro em 1852.  Em 1863 aos 11 anos veio para Resende onde seu pai, Joaquim Jacome de Oliveira Campos, fez residência e fundou quando chegou,  dois colégios – um para meninos, dirigido por ele  e outro para meninas, dirigido por sua mulher Narcisa Ignácia Pereira de Mendonça, que era professora.  Mais tarde Narcisa Amália teria aí seu primeiro emprego.  A contribuição de  seus  pais para a vida cultural da cidade  foi tão importante que D.Pedro II resolveu agraciar o Professor Jácome de Campos com a comenda Ordem da Rosa, quando de sua visita a Resende, em 1874.
                        Narcisa foi criada num ambiente liberal, o que marcaria toda sua obra – tanto na poesia quanto na prosa, destacadamente nos seus artigos na imprensa. Criticava  violentamente em seus artigos  a escravidão que ainda imperava no Brasil , escrevendo também a favor da instauração da República.  Por suas posições intrépidas e arrojadas, inclusive denunciando a situação de inferioridade em que vivia a mulher brasileira, mostrando-se pioneira também no feminismo, Narcisa foi alvo de críticas da sociedade resendense conservadora, católica, monarquista, escravocrata e machista.
Publicou artigos como “A emancipação da mulher” e “A mulher no século XX” obras muito a frente do tempo para o entendimento do público da época. Quem nos descreve a figura física de Narcisa foi o historiador Resendense Arthur de Almeida Torre que nos relata:
“Tinha um corpo delicado e cintura fina, perfil clássico de andaluza,olhos grandes e expressivos, que pareciam sempre mergulhados em meditação ;lábios ligeiramente carnudos e bem torneados,onde,no dizer do poeta , um beijo flutuava eternamente; cabelos fartos,que rolavam em ondas sobre  os ombros de linhas suaves como um vistoso manto de topázio;mãos cetinosas  e espirituais,tão pequenas, tão claras e tão delicadas,que igual,no mármore,Fídias por certo não talhara...”[ii]

No ano de 1866 casa-se aos 14 anos com João Batista da Silveira, de família resendense, quatro anos mais velho que ela, mas o matrimônio durou apenas quatro anos, foi na verdade um fracasso e o marido a abandonou, deixando também a cidade de Resende.
Resende a época de Narcisa
A Resende dos anos 60 do século XIX era uma cidade pujante do ponto de vista econômico e social.  Pois na década de 50 do século XIX mais precisamente no ano de 1854 a produção do Vale fluminense era de 7.988.551 arrobas, superando a produção do Vale paulista que chegava a monta de 2.737.639 arrobas.  No entanto, apesar de toda essa euforia cafeicultora, a região de Resende nunca ocupará o lugar de maior produtora de café da província do Rio de Janeiro. A Cidade de Resende foi grande centro produtor, mas não o maior. Mesmo que no início do século XIX seja Resende o centro irradiador do café, espalhando-o por todo o Vale do Paraíba, será Vassouras, Valença, Paraíba do Sul, Barra Mansa e Piraí que possuirão as maiores fazendas e também a maior produção. Um dado bem interessante buscado no Almanaque Laemmert da década 1860, nos informa que em Resende o café era produzido em quatro freguesias, por 510 a 560 fazendeiros e lavradores, em Vassouras 82 fazendeiros, 62 em Barra Mansa e 54 fazendeiros em Valença. O que nos faz intuir que tal quantidade de propriedades para região de Resende dá indícios da importância específica da pequena e média propriedade cafeicultora na dinâmica econômica da região, bem como sua coexistência com as grandes propriedades monocultoras de café com seus planteis numerosos de braços escravos. No início da década de 1870 chama-nos a atenção uma declaração que corrobora com nossas pesquisas é o registro de atas da Câmara Municipal de Resende em 1873:
 “... no Município de Resende há mui poucos grandes lavradores, é talvez o Município da Província do Rio de Janeiro onde  propriedade  territorial se acha mais bem dividida e, por consequência , onde se encontra maior número de pequenos produtores...” 

fig.1 Bairro Lavapés onde morava Narcisa Amália no século XIX.

Em Agosto de 1870 Narcisa começou a publicar no Jornal O Astro Resendense, na formatação de folhetim, capítulos da obra do escritor françês Gaston de Saporta[iii], denominada Reveu des Deux Mondes.  Tradução transformada em livro que deu projeção em nível nacional a nossa escritora.
Em 1872 estimulada pelo pai traduziu e publicou um folhetim no jornal Astro Resendense, tendo também colaborado em outras publicações como O Pirilampo, jornal literário que passou a ser integralmente redigido por ela com o pseudônimo Narandiba[iv] ( de origem tupi, significa laranjal). Entre 1870 e 1872 publica suas poesias em vários jornais do Rio e São Paulo. Em novembro de 1872 publicava seu livro de poesias – Nebulosas, pela mais  famosa editora da época, a  Garnier, com prefacio do poeta resendense  Ezequiel Freire[v] que, segundo alguns, teria sido seu amante,situação que ao nosso ver não achamos evidência nem registros que possa dar guarida a tal afirmação. Mais tarde ela faria o prefacio de seu  livro – Flores do Campo.
  A poesia de Narcisa , em Nebulosas,  foi recebida com aplausos pela crítica literária. João Oscar, um de seus biógrafos, escreveu: “...nos mais diversos setores da cultura nacional , o assunto de repente se tornou um só: a bela e talentosa Narcisa Amália e sua obra.”  Pessanha Póvoa fez do prefácio de Nebulosas e em um dos trechos disse:
“Eu peço que Julguem o livro de N. Amália,livro que ilumina a grande noite da poesia brasileira.Quando houver um Conselho de Estado ou um Senado Literário ,Narcisa Amália terá as honras de Princesa das Letras.”

Em umas das suas tantas visita a Resende houve uma grande surpresa o Imperador Dom Pedro II demostrou desejo de ir cumprimentar a poetisa, cuja obra já conhecia e admirava. Segundo conta-se que um dos munícipes que cortejava o Imperador,o questionou mui respeitosamente quanto ao desejo S.M., disse-lhe que Narcisa Amália residia numa padaria,de cujo proprietário era esposa. O Imperador retrucou sem se importar : - Lá por isto,não ;não dilatemos a visita,vamos sem perda de tempo,porque enfim eu vou visitar a sublime padeira,por estar ansioso por lhe provar ... do pão espiritual. E o cortejo se fez com Imperador a frente desfilando pelas ruas de Resende até a Rua da Misericórdia encontra Narcisa[vi].
Fagundes Varela dedica a ela a poesia cujo título  deu “Tributo de Admiração- O Gênio e a Beleza”, José do Patrocínio[vii] dedica a poesia “ Á Narcisa Amália”, já Raimundo Correia dedica-lhe “Poema da Noite”, Machado de Assis em sua coluna de crônicas com título “A nova geração”,na Revista Brasileira de 1879: “D.Narcisa Amália,essa jovem e bela poetisa,que há alguns anos aguçou nossa curiosidade com um livro de versos e recolheu-se depois à turris erbunea da vida domestica.” em fim todos fizeram elogios de peso à poetisa. 
                               fig.2 - Nicolau Fagundes Varella um dos grandes entusiastas da obra de Narcisa.

Regionalmente destacamos a crítica feita em 9 de fevereiro de 1873,publicada no jornal Pindamonhangabense que assim faz seu comentário “ Nebulosas é o título do livro de poesias que vem publicar a nossa distinta e inteligente colaboradora, a exma.Srª Narcisa Amália. É já por demais conhecido dos nossos leitores e,sobretudo,das leitoras,o nome desta ilustre poetisa,que faz honra e glória ao sexo a que pertence...”, em Resende o poeta e abolicionista Otaviano Hudson escreve no Astro Resendense em 23 de março de 1873, “ A mulher que se libra nas esferas do ideal,tem na fronte resplendente a auréola gloriosa que o Criador concede aos gênios. Narcisa Amália faz parte dessa falange.” Internacionalmente recebe críticas oriundas de Portugal de Rangel de Lima publicada na Revista Artes e Letras de Lisboa em 1873,no mesmo ano Julio Cesar Machado faz elogio no Diário Ilustrado de Lisboa, o crítico literário Luciano Cordeiro em sua obra Estros e Palcos em 1874 faz a menção a Narcisa do qual extraímos o seguinte trecho “ Longa vai já esta notícia de um livro e uma poetisa incontestávelmente notável. Talento vigoroso,brilhante,flexível , afirma-se por maneira que não pode contestar-lhe um dos primeiros lugares na literatura de cá(Portugal)”. Já em 1878 a escritora Portuguesa Guiomar Torrezão no Almanaque das Senhoras, editado em Lisboa faz-lhe extenso elogios.
                        Em 1880, aos 28 anos, ela casou-se , pela segunda vez, com Francisco Cleto da Rocha, proprietário da Padaria das Familias, no bairro do  Lavapés. Novamente experiência amorosa malograda que durou apenas sete anos.   O sucesso de Narcisa passou a incomodar o marido que, depois de separado, passou a difamar Narcisa declarando que seus versos não eram de sua autoria, mas escritos por poetas com quem teria tido casos de amor[viii]. O escritor Múcio Teixeira[ix] fez côro à campanha contra Narcisa declarando que Nebulosas tinha sido escrito por um homem com pseudônimo de mulher. Desgostosa, a poetisa desabafa num de seus versos: ”Meu nome atirei às ventanias....” Em outra ocasião, indignada com as críticas recebidas por não se dedicar “aos cestos de costura” , como diziam na época, escreve:” Quando tento liberar-me no espaço/ As rajadas em tétrico abraço/ Me arremessam a frase – Mulher!”
Desiludida com o clima que se formara à sua volta decide mudar-se para Rio de Janeiro onde passa, a partir de 1889, a lecionar numa escola pública, indo morar em São Cristóvão. Narcisa assistiria à proclamação da República, tema de tantos de seus artigos, mas já não tinha mais ânimo para a vida política. Afastou-se totalmente do meio literário e deixou de escrever, abandonando a poesia. Passou a morar com um casal de amigos no Rio Comprido onde, a 24 de julho de 1924 morria, paralítica e cega. A cidade de Resende prestou-lhe uma homenagem dando seu nome a uma das ruas do bairro Manejo.  Pouco mais de vinte anos depois, em 1948, o nome de Narcisa Amália era resgatado com a publicação de uma biografia sua feita por Antonio Simões dos Reis que buscou, inclusive, o testemunho do jornalista Alfredo Sodré[x] que lhe contou ter mais de uma vez visto Narcisa escrevendo seus versos. E ninguém mais duvidou da autoria de Nebulosas  livro marcante Narcisa Amália que do ponto de vista literário foi analisado recentemente na obra Chistina Ramalho - Um Espelho Para Narcisa: Reflexos de Uma Voz Romântica,  livro este que tem o mérito, entre outros, de resgatar através de rigoroso estudo crítico da autora , a obra de Narcisa como grande poetisa que foi e expoente da literatura nacional e do Vale do Paraíba no século XIX.
Referências Bibliográficas:
ASSIS, Machado de. "A nova geração". In: Crítica Literária. Rio de Janeiro, 1938.
BOPP, Itamar. Quatro personagens de Resende. Resende: [s. n.] 1985.
BROCA, Brito. Românticos, pré-românticos, ultra-românticos. São Paulo: Polis; Brasília: INL, 1979.
CESARIO, Doria. "As intelectuais brasileiras". A Cruzada. Niterói, 1 fev. 1908.
COSTA, Afonso. Poetas de outro sexo. Rio de Janeiro: [s.n.] 1930.
DANTAS, Mercedes. "A precursora do feminismo no Brasil". Revista da Semana. Rio de Janeiro, 30 mar. 1929.
FALCÃO, Rubens. Antologia de poetas fluminenses. Rio de Janeiro: Record, 1968.
FLEUSS, Max. Férias. Anthologia de actuaes escriptores brazileiros. Lisboa: Livraria Central de Gomes de Carvalho editor, 1902, p. 186 e 491.
FREIRE, Ezequiel. "Homenagem". Astro Resendense. Resende, 2 fev. 1873.
_____. Livro posthumo. São Paulo: Weisflag Irmãos, 1910, p. 75.
_____. "Narcisa Amália". Diário Mercantil. São Paulo, 16 maio 1886.
_____. "Poesia brasileira". Diário Mercantil. São Paulo, 1 jan. 1887.
FREIRE, Moniz. Itinerário da viagem de Sua Majestade Imperial à Província do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Typ. Austral, 1847.
JARDIM, Renato. Reminiscências. Rio de Janeiro: [s. n.] 1946.
LINS, Benjamim Franklin de Albuquerque. "Nebulosas de Narcisa Amália". Tymburitá. Resende, 29 ago. 1909.
LYGIA [ Georgina Macedo] . "Dois nomes". Imprensa Resendense. Resende, 13 maio 1908.
MAIA, João de A. C. Notícias históricas e estatísticas do Município de Resende. Rio de Janeiro: [s. n.] 1891.
N., R. "Narcisa Amália". Resendense. Resende, 4 mar. 1880.
OSCAR, João. Apontamentos para a história de São João da Barra. Teresópolis: Mini-Gráfica, 1977.
­­­­­­______. E os pássaros voaram. Teresópolis: Mini-Gráfica, 1973.
______. Introdução à história literária de São João da Barra. Teresópolis: Mini-Gráfica, 1972.
______. Narcisa Amália. Vida e poesia. Campos: Lar Cristão, 1994.
PAIXÃO, Múcio da. Movimento literário em Campos. Rio de Janeiro: [s. n.] 1924.
PAIXÃO, Sylvia P. A fala a menos. A repressão do desejo na poesia feminina. Rio de Janeiro: Numen, 1991.
PÓVOA, Pessanha. "Prefácio". In: AMÁLIA, Narcisa. Nebulosas. Rio de Janeiro: Garnier, 1872, p. V-XXI.
PRISCO, Francisco. "Narcisa Amália". In: Mundo literário. Rio de Janeiro: 1923.
Ramalho,Christina Um Espelho Para Narcisa: Reflexos de Uma Voz Romantica 1ªed 1999  Ed. Elo-Rio de Janeiro 185pp Formato 14x21cm Isbn 85-85084-15-4
REIS, Antônio Simões dos. Narcisa Amália. Rio de Janeiro: Simões, 1949.
ROMERO, Sílvio. "A alegria e a tristeza na literatura". Estudos da literatura contemporânea. Rio de Janeiro: [s. n.] 1885.
. História da literatura brasileira. 3. ed. Rio de Janeiro: [s. n.] 1943.
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SILVA, Eliseu G. da. "Narcisa Amália (poetisa)". Correio do Brasil. Rio de Janeiro, 28 mar. 1872.
SILVEIRA, Tasso da. "As mulheres poetisas do Brasil". Terra do Sol. Rio de Janeiro, n. 5, maio 1924.
SINCERO, João. "As nossas escritoras". Correio Literário. Rio de Janeiro, set. 1890.
SODRÉ, Alfredo. "Uma festa intelectual há 50 anos". Tymburitá. Resende, 29 nov. 1925.
TEIXEIRA, Múcio. "Memórias dignas de memória". A Imprensa, Rio de Janeiro, 1 mar. 1912.
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. "O Itatiaia". Tymburitá. Resende, 24 e 31 mar. 1923.
VEIGA, Luiz F. da. "Narcisa Amália". Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Rio de Janeiro, v. 45, p. 1, 1892.
VIDAL, Barros. Precursoras brasileiras. Rio de Janeiro: A Noite, 1952.
XAVIER, Francisco C. Poetas redivivos. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1969.
VIEIRA, Waldo. Antologia dos imortais. Rio de Janeiro: FEB, 1983.
Fontes Telematizadas:
Biblioteca Nacional: Manuscrito - Amália, Narcisa, 1852-1924 Título-Confissão Ano 1889 Assunto Poesia brasileira http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/literatura/mss_I_07_10_017.pdf
Biblioteca Nacional: Manuscrito Amália, Narcisa, 1852-1924 Título-Fatalidade Ano 1876 Assunto Poesia brasileira.
http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/literatura/mss_I_07_10_018.pdf


[1] Mestre em História Social, Docente do Centro Universitário Geraldo Di Biasi,Volta Redonda e Barra do Piraí,das Faculdades Integradas Teresa D´Ávila,grupo Unisal,Lorena-SP,docente da FAETEC-CETEP –RESENDE-RJ. Vice-presidente do Instituto de Estudo Vale Paraibanos,Vice-Presidente da Academia Resendense de História, acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil.



[i] Segundo estudos de João Oscar fundamentados nas opiniões de Arthur A.Torres,Marcello e Cybele de Ipanema in Imprensa Fluminense,Ensaios e trajetos,Rios de Janeiro:Inst.de Comunicação Ipanema,1984.
[ii] Athur Almeida Torres in Oscar,João.op.cit p.32
[iii] Louis Charles Joseph Gaston de Saporta, nascido em Saint-Zacharie (Var) 28 de julho de 1823 e morreu em Aix-en-Provence, 26 de janeiro de 1895, é um palaeobotanico francês. Ela mostra a transformação de espécies de plantas em diferentes épocas.
[iv] Lembramos que neste período do século XIX existia uma tendência dos literatos a buscar influências na cultura indígena brasileira como resgate segundo eles as raízes da terra.
[v] José Ezequiel Freire de Lima,nascido em Resende, na freguesia de Bom Jesus de Sant´Anna dos Tocos em 10 de abril de 1849. Faleceu  em Caçapava, província de São Paulo em 14 de novembro de 1891. Rezende, no século passado, foi um viveiro de espíritos de larga envergadura, tais como Raul Pompéia, Luiz Pistarini, Martins Junior e, dentre os mais ilustres Ezequiel Freire, que apesar de sua breve existência, exerceu grande influência no pensamento brasileiro de seu tempo e deixou profundamente assinalada a sua personalidade literária, social e política.
Foi um autêntico e espontâneo poeta e um escritor de aptidões multiformes. Mas tanto no verso, como na prosa, manifestou um profundo senso de nosso meio e intrépido amor às nossas realidades. Rompendo com a obra de imaginação do romantismo e do lirismo, que dominavam em seus dias, ele embebeu-se no seio de nossa terra e de nossa gente e colocou, no fundo de todas as suas produções, temas e motivos nacionalistas, integrando-se nos problemas ambientes, neles tomando posição definida e própria e combatendo pelos seus ideais através de suas crônicas, de seus contos, de seus artigos de doutrina, de sua crítica e de seus versos. O "Correio Paulistano" foi o órgão de imprensa que mais assiduamente e demoradamente exerceu a sua atividade, como o brilho de seu estilo fluente e escorreito. Escreveu também para a "Província de São Paulo", para o "Diário Popular", em São Paulo, e para a "Gazeta de Notícias" e outros grandes órgãos, no Rio.fonte: http://bndigital.bn.br/projetos/redememoria/bio-ezequielfreire.html
[vi] In A imprensa ,Juiz de Fora ,MG,1921 nºII;e Jornal do Commércio ,22.09.1948.
[vii] Interessante é que José do Patrocínio o “Tigre da Abolição”viveu em Resende quando teve uma farmácia a Rua Direita denominada “Pharmacia Independência” e portanto é provável que tenha conhecido pessoalmente e até convivido com Narcisa pois ambos lutavam pela abolição da escravatura.
[viii] A escritora Christina Ramalho em sua obra Um Espelho Para Narcisa: Reflexos de Uma Voz Romântica corrobora tal fato.
[ix] Múcio Scervola Lopes Teixeira nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul e faleceu no Rio de Janeiro. Foi poeta, folclorista, jornalista,moralista, memorialista, etnógrafo, formado em medicina na Bélgica.Obra: Curso de Literatura Brasileira (1876), Cantos do Equador (Poesia, 1881), Pátria Selvagem (1884), Cancioneiro Cigano (1885), Festas Populares do Brasil (1886), Os Ciganos no Brasil (1886), Parnaso Brasileiro (antologia, 1885).
[x] Cel.Guarda Nacional Alfredo Sodré,Jornalista,articulista,membro da Loja Maçônica Lealdade e Brio que ajudou a fundar,foi editor do Almanack Resende, os cem anos da cidade.S[ed}1901.



terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

As unidades da Guarda Nacional sediada em Resende no século XIX : a oligarquia em armas.

Palavras chave: Oligarquia- Poder - Guarda Nacional

 O estudo que se segue pretende visualizar o contexto e força política e militar emanada pelos grupos econômicos formados pelos produtores de café que ao se organizarem de forma militarizada mostravam uma outra face do poder econômico vigente na região do Vale do Médio Paraíba e em especial na micro região de Resende na segunda metade do século XIX. Segundo dados históricos do século XIX, a Guarda Nacional era recrutada entre os cidadãos com renda anual superior a 200 mil réis, nas grandes cidades, e 100 mil réis nas demais regiões. Era vista por seus idealizadores como o instrumento apto para a garantia da segurança e da ordem, vale dizer, para a manutenção do espaço da liberdade entre os limites da tirania e da anarquia. Tinha como finalidade defender a Constituição, a liberdade, a independência e a integridade do Império, mantendo a obediência às leis, conservando a ordem e a tranqüilidade pública.
            O Regente Feijó cria a Guarda Nacional no sentido de fortalecimento das elites políticas locais de cada região, pois eram elas que formavam ou dirigiam o Corpo de Guardas, isto demonstrava a total  falta de confiança do governo na fidelidade do Exército.
Uma vez que a força Regular vivia envolvida em discussões políticas e sociais, muitas das vezes totalmente contrárias a ordem estabelecida pelo poder central. É no governo do Regente Feijó que se começa um processo de desmantelamento da estrutura do Exército Regular em prol do fortalecimento local das unidades da Guarda Nacional. Onde a nossa região de Resende, Barra Mansa, Vassouras, Valença, Barra do Piraí e Bananal na Província de São Paulo são exemplos vivos deste passado. Assim, a utilização destas unidades militares é feita com toda sua força, mais política do que militar, a defender o solo pátrio no período de 1864 a 1870, no conflito chamado de Guerra do Paraguai que segundo a versão de alguns historiadores, a razão da guerra seria relacionada aos interesses ingleses, que viam com desagrado a crescente autonomia paraguaia. Sabe-se que havia uma emergente necessidade, por parte do Governo inglês, de desarticular o Paraguai, mantendo o controle econômico sobre a América Latina.
Recentemente a historiografia passou a concentrar-se mais atentamente na situação de cada país envolvido no conflito, bem como nas relações que mantinham entre si sem, entretanto, sem negar a significativa influência do capitalismo inglês, naquela época, na América Latina em especial no Brasil.
Fato que nos leva a curiosidade de estudarmos como tantos outros apectos, dentro desse contexto de relações de poder das unidades, dos corpos de exército que participaram do conflito, mais precisamente a Guarda Nacional. Mas procurando identificar nele um pouco da participação de nossos conterrâneos no maior conflito das Américas. O que não foge a regra o caso de nossos conterrâneos munícipes de Resende no século XIX que participam da luta a partir da organização e alistamento de voluntários iniciada pelos elementos da Guarda Nacional sediada em Resende. Pois segundo o relatório provincial de 1843 que fala da organização dos Corpos da Guarda Nacional em nossa região do Vale do Médio Paraíba Fluminense, mostra que nas  freguesias de  Resende, São Vicente Ferrer e Sant´Anna na Vila de Resende e nas freguesias de Barra Mansa, Amparo e Espírito Santo na Vila de Barra Mansa eram sede do 1º e 2º Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional, do 9ª Legião comandada pelo Coronel GN Lucas Antonio Monteiro de Barros, figurando também neste contexto um Batalhão de Infantaria. Pois,o relatório provincial de 1852 nos informa que Resende tendo quadro efetivo suficiente e estando posicionado em região estratégica da Província mostra a importância desse corpo para região. O Corpo de Cavalaria,compunha-se de um efetivo de 350 praças, e ainda havia um batalhão de infantaria de serviço ativo com contingente de 822 homens, além de uma seção de batalhão de reserva com efetivo de 232 praças, perfazendo uma força de 1404 homens.
Falando um pouco do staff das unidades da Guarda Nacional estacionadas em Resende é que apresentamos os dirigentes do então Comando Superior da Guarda Nacional no município.  Tal comando tinha seu estado maior formado pelo Coronel Comandante da GN, Fabiano Pereira Barreto, comendador da Ordem da Rosa, o chefe do Estado Maior era Tenente-Coronel Antonio da Rocha Miranda e Silva, na Ajudância tinha o Major Antonio Alves de Carvalho e José Pereira Barreto. A Secretaria Geral do Comando estava a cargo do Capitão Manoel Dias Carneiro e  a função de Quartel-Mestre era do Capitão Antonio Pereira Barreto. Já o 11º Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional  da  Cidade de Resende tinha seu comando nas mãos do Ten. Cel. Joaquim Gomes Jardim, oficial da Imperial Ordem da Rosa,presidente da Câmara em dois mandatos foi grande fazendeiro de Café. No ano de 1853 tal Corpo de Cavalaria tinha quatro companhias de cavalerianos. A Infantaria era representada no município pelo 27º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional cujo comandante era o Tenente Coronel Ladislao José da Fonseca, esta unidade era apoiada pela 12ª Seção de Reserva comandada pelo Major Antonio Pinto Coelho de Barros.  
Na busca de montarmos um quadro que nos dê idéia da força política da GN em na Região do Médio Vale do Paraíba Fluminense é que apresentamos o quadro abaixo:

Distribuição da Guarda Nacional na Província do Rio de Janeiro Região Sul - 1856
COMMANDOS SUPERIORES
CAVALLARIA
ARTILHARIA
INFANTARIA
Corpos
Esquadrões
Companhias Avulsas
Secções
Companhias Avulsas
ACTIVA
RESERVA
Batalhões
Secções
Batalhões
Secções
Parary e Angra dos Reis


1

1
3


1
Valença e Parahyba
2




2

1
2
Rezende
1




1


1
Barra Mansa e Rio Claro
1
1



1
1

1
Pirahy e S. João do Príncipe
2




1


1
Vassouras e Iguaçú
2




2

1
1
In: Secretaria do Governo da província do Rio de Janeiro, 20 de julho de 1856,O Secretário, José Francisco Cardozo

Dentre os 15 comandos Superiores  dentro da Província o de Resende recebeu  a denominação de  sétimo (7º) que se compunha de um corpo de Cavalaria e um Batalhão de Infantaria e Seção de Reserva, criados em 18 de Outubro de 1852 e a seção de reserva em 12 de abril de 1853.  Um ponto interessante do relatório provincial de 1857 é o que ele nos informa quanto a instrução dos Corpos da Guarda Nacional da província:
      “Instrução – Pouca ou quase nenhuma instrução tem tido a guarda nacional da província. Não é possível aos chefes do estado-maior como exige o art.79 da lei nº602, instruir aos corpos a que lhes compete tendo alguns deles companhias na distância de 6,8 e mais lagoas.”[1]

O relatório Provincial  de 1858 chama atenção para o Corpo de Cavalaria de Vassouras  com os seus 501 praças e enfatiza o fato 250 destes já possuírem o primeiro uniforme. É interessante notarmos que quase sempre o provimento de fardamento e armas aos corpos era feito pelos seus dirigentes. Assim com era bem da moda da época, estes primeiros uniformes eram adquiridos importando-os da  França. Então estes fardamentos tinham forte influência dos modelos usados pelo exército imperial de Napoleão. Chamados de Grande Uniformes eram formados em dolman e calças em tom azul  tendo alternativa de uso de calças brancas, a cobertura era uma barretina com penachos nas cores das armas da tradição francesa, cavalaria vermelho e branco, artilharia vermelho e preto e infantaria vermelho. Quando da ocorrência da Guerra da Criméia  o fardamento da Guarda Nacional também sofre influência dos modelos usados pelos países envolvidos no conflito, a exemplo das unidades de Zuavos. Segundo o General Dionísio Cerqueira[2] os uniformes dos zuavos brasileiros tiveram como modelos a vestimenta dos corpos franceses existentes na Argélia. Na cabeça usavam o fez barrete de forma tronco-cônica, geralmente vermelha.



Em 1858 a força ativa e de reserva qualificada pelos comandos superiores da Guarda Nacional na região do Vale do Médio Paraíba Fluminense relativa aos municípios de Resende, Pirahy , São João do Príncipe, Vassouras, Iguassú , Valença e Paraíba do Sul formavam um contingente em armas  de 27193.

 

                       Fonte: Relatório Provincial Rio de Janeiro 1858 p.27

Já no Relatório do ano de 1859 se manteve as reclamações quanto à necessidade e urgência de armamentos, em especial cita a preocupação do Barão de Campo Bello[3] a este respeito uma vez que este era o comandante superior da Guarda Nacional de Vassoura e Iguassú. No ano de 1863 temos a nomeação por decreto de 21 de maio da promoção do alferes Luiz da Rocha Miranda Sobrinho[4] a Tenente Coronel Comandante do 11º esquadrão de Cavalaria da Guarda Nacional estacionado em Resende. Nascido em Resende a 27 de agosto de 1837[5], importante fazendeiro de café e gado nos municípios de Resende e Bananal foi proprietário de lendárias fazendas como a Taquaral, Palmeiras, Serra e Novo Destino. Participou ativamente na organização dos serviços de alistamento voluntariado para os serviços na Guerra do Paraguai, chegando a disponibilizar para força Imperial seus escravos. A importância da Guarda Nacional se mostra quando da organização das unidades de Cavalaria Ligeira, pois segundo estudo de Jose Wasth Rodrigues[6], a maioria dos Corpos de Cavalaria  do Brasil eram constituídos por unidades da Guarda Nacional, assim para os dois regimentos de cavalaria do exército imperial existiam 22 corpos da Guarda Nacional. E para marcarmos a importância destas unidades em termos de força política é que apresentamos o quadro abaixo, ficando claro que a direção dos corpos e esquadrões eram uma prerrogativa das elites locais como elemento de dissuasão contra qualquer forma de desestabilização do poder da corte.
 


    Fonte: Relatório Provincial de 1868 – Guarda Nacional.


A propósito de se constituírem em unidades volumosas em efetivo, o caso é que em termos de armamento para as tropas de linha, o relatório provincial de 1867  nos relata a seguinte condição destas unidades da Guarda Nacional na Província :

“Armamento -  Para o estado de cousas que acabei de descrever, tem contribuído bastante a falta de armamento que sente a Guarda Nacional. Sem artilharia não é possível exercitar-se a respectiva arma. Sem tambores, e fuzil não se pode exigir serviço dos batalhões de infantaria. E finalmente sem espadas e clarins impossível é instruir-se os corpos de cavallaria.[...]”[7]


Mesmo dentro deste cenário de dificuldades materiais vemos  em  Resende daquele tempo uma organização forte que contava com representação de inúmeros cafeicultores, com as maiores e mais fortes fontes de renda de nossa região.  Sabemos que Resende nestes tempos de Guerra do Paraguai não era mais o maior produtor de café, porém se mantinha com uma produção cafeeira que somava  487.500 arrobas para ano 1868 o que correspondia a 6,28 % da produção da província[8]. Ao pesquisarmos vimos que o comandante Superior da Guarda Nacional em Resende, Coronel Fabiano Pereira Barreto em sua propriedade de café produziu  10.000 arrobas, já o comandante do 11º Corpo de Cavalaria  da Província, o Tenente Coronel Luiz da Rocha Miranda Sobrinho em sua fazenda  Taquaral teve a produção de 6.000 arrobas, a 1ª Companhia de Cavalaria era comandada pelo Capitão Domingos Gomes Jardim  proprietário de fazenda em Campo Bello (hoje Itatiaia), propriedade esta que produzia 2.500 @.
O café era  base de nossa economia, ao mesmo tempo em que preservava aspectos do passado colonial caracterizado por forte base escravista e calcada no latifúndio, tornava nossa economia mais dinâmica, estimulando a construção de ferrovias e portos, além de criar condições favoráveis para o crescimento de outros empreendimentos como bancos, atividades ligadas ao comércio interno e uma série de iniciativas empresariais.  Este avanço criou e deu poder econômico e político a estes cafeicultores. Segundo Maria Fernanda Vieira Martins em seu estudo sobre Redes de Poder: o conselho de estado e a elite imperial 1842-1889, nos explica que a monarquia constitucional brasileira construiu-se a partir de um longo processo de organização de uma autoridade central, no qual a instituição do Conselho de Estado teve papel fundamental na conciliação dos interesses das elites com a manutenção do poder Imperial. E ainda dentro do mesmo estudo é que nos esclarece que é na noção de rede que complementa a compreensão do sentido de elite e suas relações quer individuais quer em cadeia de relacionamentos. Assim, os membros desse  Conselho de Estado, integravam diferentes redes de relacionamentos que se perpetuavam e se reconstruíam no país desde o século XVIII, tendo como base de referência antigas famílias e sua aliança clientelares.[9]
Na Resende do século XIX é patente essa cultura e forma de atuar da elite local onde procuravam participar do aparato político-administrativo do império. E isto fica bem evidente quando tratamos do caso dos quadros da Guarda Nacional ,pois ilustram bem a demonstração de poder e força  dessa elite  ocupando os cargos militares-adminstrativo deste corpo de guardas de elite que se colocavam como defensores do império. 
É nesse contexto, que o capital cafeeiro e o poder político de um indivíduo correspondiam não apenas a seu status, mas ainda relacionavam-se à sua capacidade de oferecer  e  retribuir benefícios , concessões e privilégios , em um amplo esquema de trocas cuja função estruturante se verificava em um nível mais básico e cotidiano das relações de poder. Na prática, consistiam em apectos informais e conviver com as estruturas formais de ordenação política e social, transformando-se progressivamente em práticas marginais na proporção em qe se complexificava o aparelho de controle e adminstração do Estado[10].  A exemplo do que foi dito temos um documento que relata da necessidade de recurso para construção de uma estrada que ligaria a Vila de Resende até a povoação de Ariró. Obra esta que estaria sob diligência do Capitão da GN Domingos Gomes Jardim.

Fig.1 – Correspondência da Câmara Municipal Construção da Estrada do Ariró /Outubro de 1833.

 Em outro documento que pesquisamos, datado de 1831,  achamos uma petição direta do gabinete do Regente  Feijó através da Secretaria de Estado dos Negócios e Finanças mandando a  então  Câmara da Vila de Resende preparar a partir dos Livros dos Juizes de Paz  a matricula dos cidadãos que deveriam ser alistados para compor os quadros da Guarda Nacional.



Fig. 2 – Correspondência Gabinete da Regência – 9 de Setembro de 1831 assinada
pelo Regente Pe. Diogo Antonio Feijó.

Concluindo o artigo, enfatizo o fato da necessidade de novas pesquisas sobre a formação econômica da região do médio Vale do Paraíba Fluminense, elemento de extrema importância para entendermos  a Formação Econômica do Brasil a luz de um novo modelo historiográfico que considere as relações de poder regionalmente e as dinâmicas econômicas vividas por cada recanto do Vale do Paraíba, pois pela historiografia clássica as cidades locais tinham uma pequena relação com as fazendas e a riqueza girava em torno destas e não daquelas, o que no caso de Resende podemos ver exatamente o contrário; com a formação de um grupo bem destacado de pequenos e médios produtores ativos politicamente, ocasionando uma distribuição de renda bem diferente do que se poderia imaginar face as grandes propriedades. Tudo isto no período em que o Brasil era o Império do Café, mesmo quando o processo econômico brasileiro se desenvolvia nas condições de economia incipiente nos moldes de um capitalismo tardio, com traços coloniais, dependente e mercantilista, ainda que no século XIX o mercantilismo já tivesse sido superado como modelo internacional, os pequenos e médios cafeicultores coexistiam, agiam e interagiam no tão afamado mundo das grandes propriedades, formando neste caso um contingente com poder político e econômico.  Pois fazendo parte ativa dos Corpos da Guarda Nacional se viam como  verdadeiros  baluartes da independência e a integridade do Império  e braço de Sua Majestade Imperial Defensor Perpétuo do Brasil .



[1] Relatório Provincial de 1857 § X p.22 Rio de Janeiro.
[2] Cerqueira, Dionísio. Reminisciências da Guerra do Paraguai. Rio de Janeiro: Biblioteca Militar, 1949.

[3] Laureano Correia e Castro, 1º barão de Campo Belo (* 25.02.1790   + 08.01.1861),foi Coronel Comandante Superior da Guarda Nacional de Vassouras e Iguassú, Cavaleiro da Ordem de Cristo e Comendador da Ordem da Rosa. O título de Barão lhe foi agraciado em 1854 pelo Imperador Dom Pedro II.

[4] Em 1867 é agraciado com o título de Barão de Bananal, tornando-se o primeiro resendense a conquistar um título de nobreza.
[5] Pesquisa recente publicada no XXII Simpósio de História do Vale do Paraíba nos mostra que Luiz da Rocha Sobrinho,o Barão de Bananal nasceu em 27 de Agosto de 1836 e não no dia 7. Lia Andrade Quintanilha Pinto e Marco Antonio Marucco Pinto – Pesquisa genealógica /Agosto de 2008.
[6] Rodrigues,Jose Wasth , Uniformes do Exercito Brasileiro – Ed.Especial Ministério da Guerra -1922.
[7] Relatório Provincial – Província do  Rio de Janeiro  1867 Guarda Nacional – p.26
[8] Em 1868 a produção em arrobas  de café exportado passado pela mesa provincial do Rio de Janeiro foi de 7.755.790@
   Fonte: Taunay, Affonso E. Historia do Café do Brasil.Rio de Janeiro DNC 1939 V.3 tomo I p.52
[9] E.Grendi.Paradossi della storia contemporânea, In Aa.Vv.Dieci Interventi sula storia sociale,Torino: Rosenberg&Sellier.1981 p.73
[10] Angela Barreto Xavier e Antonio Manuel Hespanha.  As Redes Clientelares. In Jose Mattoso(dir)História de Portugal .Lisboa :Estampa ,1998,V.4 O Antigo Regime(1629-1807), A Arquitetura dos Poderes.p.339

SOBRE O AUTOR DO BLOG:

Prof. JULIO CESAR FIDELIS SOARES
fidelissoares@ig.com.br


Nascido em Resende em 11 de Fevereiro de 1964, no Bairro mais tradicional de Resende o Lavapés é Economista, trabalhou no setor financeiro e no programa nuclear brasileiro, atua no magistério Superior já com 25 anos de experiência. Mestre em História Social, Pós-Graduado em Engenharia Econômica, Curso de Complementação Pedagógica para docente do ensino fundamental ao médio, ex-professor dos Cursos de Economia e Pedagogia das Faculdades Dom Bosco , ex-professor da UERJ nas cadeiras Engenharia Econômica I e II.

Membro da Academia Resendense de História,onde ocupa atualmente a função de Vice-presidente, membro do Instituto Estudos Valeparaibanos onde pelo segundo biênio é Vice-presidente,Coordenador do Núcleo Fluminense do IEV cuja sede instalou-se no Centro Universitário Geraldo Di Biase em Volta Redonda, Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil ocupando a cadeira Gen.Severino Sombra.Entusiasta de História Militar tem como Hobby o Plastimodelismo, onde constrói réplicas na escala 1:35 de veículos militares empregados nos diversos teatros de operações da Segunda Grande Guerra Mundial. Atividade que envolve pesquisa documental, iconográfica e o gosto pela arte da reprodução dos equipamentos utilizados pelos exércitos no século passado. Ex-Aluno do Colégio Estadual Dr.João de Azevedo Carneiro Maia – Resende-RJ. Docente do Centro Universitário Geraldo Di Biasi – dos cursos de Logística,Gestão de Recursos Humanos ,Engenharia de Produção e Direito. Ex-Docente dos cursos profissionalizantes da Faetec – CETEP Resende-RJ.

OBJETIVO DO BLOG PARAIBANOVA.BLOGSPOT.COM

No blog procuramos reforçar as buscas pelas origens do centro de dispersão da cultura econômica do café que foi responsável pela formação da elite econômica oriunda das pequenas e médias propriedades que financiou o primeiro e decisivo grande salto para a agroindústria cafeeira do país. Cuja influência embrionária do plantio do café não foi até o momento tocado pela historiografia tradicional que relatou somente a História de grandes propriedades diferentemente dispare dos relatos documentais em fontes primárias. Este Blog é fruto de trabalhos e artigos produzidos através de pesquisa documental e bibliográfica que tem o sentimento de resgatar fatos e busca-los da memória histórica, onde trabalhamos junto ao Arquivo Histórico Municipal de Resende para contar um pouco algumas Memórias de Resende e Região do Médio Vale do Paraíba antiga Paraíba Nova.