quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A ESTRADA DE FERRO RESENDE A AREIAS (ESTRADA DE FERRO RESENDE À BOCAINA)

Por Julio Cesar Fidelis Soares - ARDHIS
Claudionor Rosa - ARDHIS

Resumo

Este artigo mostra a importância da economia agro-exportadora cafeeira nos municípios de Resende e São José do Barreiro, que se beneficiando da conjuntura favorável daquele momento, coloca o café como centro dinâmico da economia, atraindo as forças econômicas - capitais e mão-de-obra - e provocando mudanças em todos os outros principais setores da sociedade, conseguindo trazer a mais moderna tecnologia Ferroviária do século XIX. A ferrovia, trabalha para a melhor distribuição da riqueza de suas regiões operando mais uma vez mudanças na constituição das classes sociais, com o declínio de umas e a ascensão de outras, trazendo saudade daqueles tempos.

Palavras-Chave: Café - ferrovia - economia - sociedade
Este estudo se deu da nossa curiosidade em resgatar mais um pouco da história dos transportes na Resende dos séculos passados e da história do Vale do Médio Paraíba Fluminense em ligação com o Vale do Paraíba Paulista. Através da obra de Maria Celina Whately é que nos orientamos sobre informações das diversas etapas da história do transporte na região. Dentre estas etapas destacou-se a ferrovia, que deu mobilidade não só às pessoas, às cargas, mas acima de tudo dinamizou o comércio. O transporte em nossa região deu-se então em três etapas: via terrestre, com transporte das tropas de mulas e ferroviário, via marítima e fluvial. Nosso foco se dará mais precisamente no transporte ferroviário, que a partir da década de 1870 chega a nossa região mudando e dinamizando mais ainda o perfil econômico da região de Resende. Desde o final do século XVIII já era um importante entreposto comercial e ponto de convergência entre as tropas oriundas das Províncias de São Paulo e Minas Gerais com destino ao mercado da Corte. Um dos fatos que corroboram com isto e que mostra também a importância e as ligações sócio-econômicas entre Resende, Bananal, São José do Barreiro e Areias, é a construção da estrada Resende-Ariró que tinha como objetivo não só alçar o porto de Mambucaba, mas unir, consolidar e facilitar o transporte e a mobilidade entre as populações desta região que eram as maiores produtoras e exportadoras de café. Assim, tal empreitada foi realizada sob o comando de Domingos Gomes Jardim[1].  Com o passar do tempo e o crescimento econômico da região, nos idos de 1872, chega à Resende a Estrada de Ferro D. Pedro II. Segundo o jornal O Astro Resendese, as principais questões econômicas que trariam vantagens e favorecimentos à região seriam: diminuição dos preços, a brevidade nos transporte e melhor acondicionamento dos gêneros transportados.


Fig.1 – Carta relatório dando conta do andamento das obras da Estrada Resende-Ariró – antigo caminho de transporte de Café.


Em 1874 a estrada de ferro chega a Boa Vista[1] fazendo com que o trecho contasse com quatro estações: Resende, Campo Belo, Itatiaia e Boa Vista. Com isto, as exportações de café de São José do Barreiro, Areias e Bananal também eram atendidas.  
A importância econômica desta região era tão grande que em 21 de fevereiro de 1872 foi concedido por decreto número 4893 a autorização do Governo Imperial para construção de uma ferrovia que partiria de Resende, na província do Rio de Janeiro, indo em direção à província de São Paulo para concorrer com incremento comercial e agrícola dos municípios de Bananal, São José do Barreiro e Areias; e ainda com o objetivo de contribuir com o transporte das produções de Cunha e Silveiras[2]. Constituindo assim, um ramal da Estrada de Ferro D. Pedro II. O entroncamento se deu a 335 metros da ponte sobre o Rio Paraíba, antes da estação do Campos Elíseos em Resende em terreno que hoje se localiza o bairro do Surubi. Em 1876, no transcorrer das obras, ocorre uma modificação do traçado, sendo estas alterações aprovadas por S. M. o Imperador em 9 de fevereiro do mesmo ano. Assim, no dia 30 de novembro de 1877, dá-se a inauguração provisória do trecho Resende-Estalo com o trem partindo da plataforma do Surubi às 7 horas da manhã[3]. A inauguração definitiva do percurso até a estação de Formoso acontece em 8 de janeiro de 1878 e o término das obras levando até São José do Barreiro, em 19 de fevereiro de 1892.



Fig.2 – Carta convite da Companhia Estrada de Ferro Resende-Areias para inauguração do trecho provisório.


Resende e sua Ferrovia

A rua Dr. Clodomiro Maia, no Lavapés, é também conhecida por Rua do Trenzinho, porque durante 52 anos foi parte do leito da extinta Estrada de Ferro Resende-Areias, também chamada de Estrada de Ferro Resende-Bocaina. No início, propriedade da Casa Finnio & Irmãos, do Rio de Janeiro, com vários acionistas e dentre o patrimônio contava com as estações: Surubi, Plataforma (Santa Casa), Babilônia, Estalo e Formoso. Ao longo da linha a Estrada de Ferro possuía bitola entre os trilhos de aproximadamente um metro.
Depois a ferrovia foi ampliada com as estações Independência, Riachuelo, Campinho e o ponto final em São José do Barreiro, totalizando 39 quilômetros, com planos de, atravessando a cidade de Cunha (SP), chegar ao litoral, visando, principalmente, o escoamento da produção cafeeira. Alcançar Cunha e o litoral foram planos não concretizados.

“No dia 15 do corrente foi aberto ao tráfego a E. F. Resende Areias, da estação do Suruby até a de Estalo. A locomotiva Formosa, conduzindo três vagões de passageiros e um carro de bagagens. Partiu do Suruby às 6:30hs da manhã ao som da Banda de Música da Sociedade Santa Cecília. Às 6:45hs rodou o trem, chegando à estação de Babilônia às 7:35hs, onde o aguardava grande número de cavalheiros e damas do Alambari, Formoso e Barreiro. A banda de música do sr. Barão de Bananal saudou a todos. Com a construção de outros ramais já em fase de projetos, ficaremos em contato imediato com a parte do Bananal, e grande zona do sul deste município, animadas todas pelas lavouras do café...” [1]

Além das residências dos funcionários e das oficinas instaladas no Surubi, a ferrovia operava 3 locomotivas[2] (marias-fumaças) movidas à lenha, 3 vagões para carga, 3 carros para passageiros e 1 automotriz (automóvel de linha) movido à gasolina.



Fig. 3 – A locomotiva “Bocaina” uma das três máquinas operadas pela ferrovia.

A Circulação de Mercadorias
Os jornais da época nos dão conta do fluxo e movimento de economia da região, o “Tymburibá” registra em uma de suas publicações o seguinte:
“Em todas as estações da E. de Ferro Resende a Areias e D. Pedro II, vende-se bilhetes e despacha-se encomendas, mercadorias, diretamente para quaisquer estações das referidas estradas de ferro. São fornecidos sacos vazios para transporte de café, pelo preço da tarifa.” [1]

O Declínio

Com o decorrer dos anos, a ferrovia começou a apresentar problemas de custeio, a reduzir, e até mesmo a suprimir viagens de trens de passageiros e de cargas.
Na busca de solução para o trenzinho o Dr. Oliveira Botelho, entre outras alternativas, propôs ao governo federal a aquisição da ferrovia, através da Central do Brasil. Depois de muitas especulações a ferrovia foi comprada pela Refinadora Paulista, com promessa de incentivar o plantio da cana para alimentar a fabricação de açúcar, na usina de Porto Real, também de propriedade do mesmo grupo. No entanto, a aquisição apenas adiou a questão. Em outubro de 1928 a Refinadora dispensou todos os ferroviários, alguns com mais de trinta anos de serviço e, usando um termo bem atual, começou o sucateamento da estrada e a transferência do material para a cidade paulista de Piracicaba, onde a empresa tinha várias usinas e pequenos trechos ferroviários.
A medida gerou uma crise de desemprego até então sem precedentes na história de Resende, ocasionou o fechamento de outras atividades que viviam em função daquele trem.

O Aceno derradeiro

“Faço público que a Estrada de Ferro Resende a Bocaina, antiga Resende a Areias, encerrará usas atividades, dia 16 próximo. Quem se julgar credor da Ferrrovia, sob qualquer título, é solicitado a apresentar a devida conta no escritório da companhia, à Estação Oliveira Botelho, para os devidos fins de direito. Assinado o gerente Nelson Godoy”.[1] (Jornais “A Lira” e “Opinião” – novembro de 1928)
Como a canção famosa do Milton Nascimento, ao velho maquinista com seu boné só coube a tarefa de acenar pela derradeira vez. A ferrovia foi paralisada e, desta vez, para sempre.




[1] Jornal “A Lira”, edição de Álvaro Silva foi um dos jornais do século XIX que mais tempo circulou, terminando por volta do ano de 2001. “Opinião” – novembro de 1928).


 Fig.4 – Mapa do trajeto construído ligando Resende à cidade de São José do Barreiro no Vale Paulista.





Fig.5 – Locomotiva Formosa, uma das que operaram na ferrovia(1899).



Fig. 6 – Visita feita à região pelo Presidente Hermes da Fonseca, onde  utilizou a ferrovia saindo da Estação do Surubi. A foto mostra a recepção ao presidente em São José do  Barreiro –SP.






Fig.7 – Relatório do ministério da Agricultura, Comércio e Obras públicas aprovando modificações no trajeto da Estrada de Ferro Resende-Areias, que era um braço da E.F. Dom Pedro II.

Bibliografia:

Almanaque Laemmert. 1845-1885

Jornais:
“ A Lira “ – 1928
“ Opinião” – 1928
“Tymburibá” -1882
“Itatiaya” - 1877

Arquivo Público de Resende, Fundação Casa de Cultura Macedo Miranda, acervo documentação da Câmara Municipal de Resende.

BOPP, Itamar.  Casamentos na Matriz de Resende.  Instituto Genealógico Brasileiro, 1971.

________. Notas Genealógicas.  São Paulo: Gráfica Sangirardi. [S.Ed]  1987.

MAIA, João de Azevedo Carneiro. Do descobrimento do Campo Alegre a criação da Vila de Resende. [S.Ed] 1886.

________. Notícias Históricas e Estatísticas do Município de Resende desde a sua fundação. Rio de Janeiro, 1891 [Monografia] .

________. Modos de Produção e Realidade Brasileira: "A mentalidade dos-fazendeiros no Congresso Agrícola de 1878." Petrópolis: Vozes, 1980.

MAGALHÃES FILHO, Francisco de B. B. de. História econômica. São Paulo: Saraiva, 1982.

PIZARRO, José de Sousa Azevedo.  Memórias históricas da Província do-Rio de Janeiro.

SAINT- HILAIRE, Auguste de. Viagem à Província de São Paulo. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1976. (Início do Século XIX).

________. Viagem pelas Províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1978. (Início do Século XIX).

________. 1822. Segunda viagem do Rio de Janeiro a Minas Gerais e a São Paulo. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp.

SILVA, Eduardo.  Barões e Escravidão.  Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

SODRÉ, Alfredo.  Resende, os cem anos da cidade. [S.Ed]

STEIN, Stanley J. Grandeza e decadência do café no Vale do Paraíba.  São Paulo, Brasiliense, 1961.

TAUNAY, Affonso E. História do café do Brasil.  Rio de Janeiro: Departamento Nacional do Café, 1939. V. 2, T. 11; V. 4, T. 11 E V. 5, T. 11.

________. Pequena história do café no Brasil. Rio de Janeiro: Dnc, 1945.

TSCHUDI, J. J. Von.  Viagem à Província do Rio de Janeiro e São Paulo.  Biblioteca Histórica Brasileira, São Paulo: Martins, 1953.

VALLIM, João Rabello de Aguiar. Famílias paulistas do Bananal. São Paulo, Revista do I. H. G. S. P., volume LXXX, 1985.

VASCONCELOS, Clodomiro de. "As estradas antigas de transporte de café no Estado do Rio". In: O café no segundo centenário de sua introdução no Brasil. Rio de Janeiro: Departamento Nacional do Café, 1944. V. 2.

WHATELY, Maria Celina. O café em Resende no Século XIX.  Ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1987.

WHATELY, Maria Celina. Resende, a cultura pioneira do café no Vale do Paraíba. Niterói: Gráfica La Salle, 2003.

ZALUAR, Emilio. Peregrinação pela  província de São Paulo, 1860-61.  São Paulo, 1953.









[1] Jornal “Tymburibá” – novembro de 1882 – publicação de Henrique Fonseca e Gustavo Amorim. 1881 até 1936.



[1] Jornal “Itatiaya” – 17 de novembro de 1877, publicado por Jose Ribeiro dos Santos Alves.
[2] Estas Locomotivas receberam os seguintes nomes conforme a tradição ferroviária: Resende, Bocaina e Formosa, talvez uma deferência a Formoso. Segundo Celina Whately, a viagem durava 4 horas, se fazendo três dias por semana, com viagem de ida e a volta no dia seguinte. (ver fig.3)
WHATELY, Celina. Café em Resende no século XIX. Rio de Janeiro: Jose Olympio, 1987. p.31.


[1] Boa Vista é denominada hoje Engenheiro Passos em homenagem a Francisco Pereira Passos, Engenheiro chefe da Construção da Ferrovia e responsável por trazer a obra até o limite com a Província de São Paulo. 
[2] Relatório do Ministério dos Negócios e Agricultura à Assembléia Geral Legislativa. ano 1874. p.128.
[3] Conforme carta-convite expedida a Câmara Municipal de Resende assinada por Oscar K. Ford gerente da companhia Estrada de Ferro Resende-Areias. Arquivo Público Municipal - Resende-RJ (ver fig.2)


[1] Gaúcho de Viamão, deu origem a uma das linhagens de família mais tradicional de Resende, foi responsável pela administração e construção da estrada do Ariró conforme atesta carta resposta expedida em 1831 dando conta dos progressos da obra. (Ver fig.1)




domingo, 11 de janeiro de 2015

Revendo um pouco da História de Porto Real



Por  Julio Cesar Fidelis Soares
 
A História de Porto Real inicia-se como parte da Freguesia de São Vicente Ferrer, atual distrito de Fumaça, freguesia habitada pelos índios Puris ao tempo do Aldeamento de São Luiz Beltrão. Já em 1800 temos as primeiras notas sobre as terras de Jose de Souza Marques. Jose de Souza Marques era oficial do Corpo de Ordenanças de Malta que em 1799 tinha como comandante o Capitão-mor Jose de Mota Pereira do qual ele era Ajudante, registro este feito na lista de pessoas empregadas na Administração Pública da Capital do Vice-Reino do Brasil sob o governo de Dom Jose Luiz de Castro, Conde de Resende e Vice-Rei do Brasil.


Fig.1 - Conde Jose Luiz de Castro,Vice-Rei do Brasil e segundo Conde de Resende.


    Na passagem do século XVIII para o início do século XIX o Coronel de infantaria Joaquim Xavier Curado era responsável pela distribuição de sesmarias na região de Campo Alegre da Paraíba Nova e é bem provável que as terra denominada de Minhocal ter sido ofertada ao Ajudante Jose de Souza Marques neste contexto histórico de distribuições sesmarias para colonização de nossa região após o apaziguamento dos índios Puris e sua transferência ao Aldeamento de São Luiz Beltrão.




Fig.2 - Conde Edward Pellew Wilson II


Em 1822 estas terras entraram em disputa entre os herdeiros e proprietários vizinhos; para resolução do impasse buscou-se a intervenção da Coroa na figura do Imperador Dom Pedro I, dando como vencedores os herdeiros, estes em agradecimento ao monarca doam partes das terras recebidas a Coroa, terras estas a margem direita do Rio Paraíba que a época já era conhecida pelo seu pequeno porto de embarque e desembarque uma vez que o transporte fluvial era uma das alternativas para diminuir parte do longo trajeto entre a Corte e São Paulo. Em 1874, em um contexto de colonização com europeus, sobretudo de países que em crise socioeconômicas, é que se se funda o núcleo Colonial de Porto Real com a ideia de trazer colonos italianos. Depois loteada e distribuída a 80 famílias de imigrantes italianos.

     O interessante é notarmos que a esta época um amigo do Imperador, Edward Pellew Wilson, que era chamado de “O Rei do Carvão”, detinha o título de Cônsul Honorário da Itália, Cavaleiro da Casa Real de Portugal, Cavaleiro da Ordem de São Maurício e São Lázaro, da Casa Real de Savoia da qual era oriunda a Imperatriz Tereza Cristina, tenha tido nesta porção de terras de Resende uma bela casa da qual tinha especial carinho, pois guardava nela uma belíssima coleção de armas. Esta residência fazia parte de um de seus investimentos na região de Porto Real como já era denominada, cujo nome ficou perpetuado no Engenho Central de Porto Real.


Fig.3  O engenho de açúcar de Porto Real fundado no século XIX.
fonte foto:http://mapadecultura.rj.gov.br/manchete/acucareira-porto-real


Assim é bem provável que este núcleo Colonial com sua importância por que foi a primeira colônia italiana no Brasil tenha sido intermediado pelo futuro Conde de Wilson, título recebido em 1891 da Corte Portuguesa. Este núcleo Colonial, segundo diz o imaginário do povo, era visitado com boa constância por membros da família Real, inclusive o próprio Imperador Dom Pedro II, relato que até o momento não achamos registros ou fontes. E tal fato era sempre motivo de costumeiras festas, aliás, um hábito constante entre os colonos italianos ao longo de seu processo de instalação em seus núcleos imigratórios.
Segundo o historiador Pedro Braille Netto, em 1878 o Conde D’Eu esposo da Princesa Isabel esteve visitando a Colônia e lhe foi solicitado à construção de um Engenho de Açúcar e Aguardente, de modo que fosse aproveitada melhor a produção canavieira e é aí que entra o Conde Wilson com o seu Engenho Central de Porto Real, ele era um homem de extrema capacidade nos negócios e é provável que sendo um amigo íntimo da Casa Real e proprietário de terras em nossa região que ele tenha atendido a esta solicitação da família nesta e noutra empreitada de intermediar a vinda de imigrantes italianos ao país, usando de sua influência, como dissemos, pois ele era Cônsul Honorário da Itália. A solicitação da construção de um engenho foi atendida em 1880 com grande festa de inauguração. A região progrediu, tanto que em 1891 Porto Real foi elevada à categoria de 7º Distrito do Município de Resende.
O aumento da produção de açúcar levou à construção de uma ferrovia para transportar a cana, inaugurada em 1898 pelo Comendador Edward Pellew Wilson III, filho do Conde Wilson, que era o segundo proprietário do Engenho Central, hoje Companhia União Agrícola.



Referências Bibliográficas:
Guia de Forasteros para el Año de 1867, página 102; Estado General de la Armada para el Año de 1863, página 248, Madrid, Impressa Nacional, 1862; Websites: www.geneall.net

Louise H. Guenther. In: Centre for Brazilian Studies, University of Oxford. British merchants in nineteenth-century Brazil: business, culture, and identity in Bahia, 1808-50 (em inglês). [S.l.: s.n.], 2004. p. 211

Marques,Jose de Souza, Ajudante docvirt.com/docreader.net/WebIndex/WIPagina/Anais_BN.../13168

Sabóia,Patrícia, a Saga dos Wilsons. Editora Desiderata, 2005 



terça-feira, 14 de outubro de 2014

Anália Franco: uma educadora na legítima expressão da palavra

Por Julio Cesar Fidelis Soares -ARDHIS \ IEV\ AHIMTB

RESUMO 
Este artigo é um estudo preliminar sobre os professores e educadores e as escolas que atuavam em Resende, Província do Rio de Janeiro, no século XIX, numa busca do que representaram socialmente. A análise dos elementos da representação social destes mestres e das suas escolas nos ajudará a entender um pouco mais sobre a história da educação em Resende bem como da região do Vale do Paraíba Fluminense no período da produção cafeeira e suas interfaces com a sociedade brasileira.
Palavras-chave: educação, história, escolas e educadores.

A educação é fator preponderante ou principal para o desenvolvimento social e econômico de um país ou região, não mero elemento de visualização de crescimento, mas um efetivo instrumento de melhoria de desempenho nas mais diversas áreas de melhoria dos níveis de qualidade de vida econômica e social.
      Assim sendo, é necessário conhecer a história de nossas escolas para sabermos em que contexto elas foram criadas, sua organização, que cursos ofereciam em cada período de sua existência, quem foram seus dirigentes, seus professores e tantos outros aspectos próprios das pesquisas não quantitativas, mas com um foco extremamente qualitativo onde podemos aprender mais, não só sobre as escolas como um todo, mas também quem eram aqueles que trabalhavam no ambiente educacional. De outra maneira, tal estudo nos possibilita conhecer a história das unidades escolares através do resgate de seus documentos, que são de extrema importância para o reconhecimento histórico, pois conseguem registrar o dia-a-dia das atividades das unidades escolares.
            Pensando neste mundo da educação é que colocamos o nosso objetivo, que é regatar informações sobre a educação em Resende através de fontes de consulta primárias, para que os estudiosos e memorialistas da História da Educação, especificamente, possam dar vida e voz à memória das antigas unidades escolares de Resende. Bem como àqueles, no século XIX, que trabalharam na educação não só com foco regional, mas também com expressão nacional. Época em que nossa região do Vale do Paraíba Fluminense, Resende, se despontou não só como pioneira na produção cafeeira, mas também como foco dispersor desta cultura para outras regiões do país.
 E é assim que se faz mister resgatar um pouco da história de uma resendense pouco conhecida em sua terra natal, mas que fez muito pela educação do Brasil até a primeira metade do século XX.  Falo então de Anália Emília Franco, nascida em Resende em 10 de fevereiro de 1853, filha de Teresa Emília de Jesus e de Antonio Mariano Franco Junior. A Resende dos anos 50 do século XIX era uma cidade pujante do ponto de vista econômico e social.  No ano de 1854 a produção do Vale fluminense era de 7.988.551 arrobas, superando a produção do Vale paulista que chegava a monta de 2.737.639 arrobas.[1] No entanto, apesar de toda essa euforia cafeicultora, a região de Resende nunca ocupará o lugar de maior produtora de café da província do Rio de Janeiro. A Cidade de Resende foi grande centro produtor, mas não o maior. Mesmo que no início do século XIX seja Resende o centro irradiador do café, espalhando-o por todo o Vale do Paraíba, será Vassouras, Valença, Paraíba do Sul, Barra Mansa e Piraí que possuirão as maiores fazendas e também a maior produção. Um dado bem interessante buscado no Almanaque Laemmert de 1850, nos informa que em Resende o café era produzido em quatro freguesias, por 413 fazendeiros[2], em Vassouras 82 fazendeiros, 62 em Barra Mansa e 54 fazendeiros em Valença. O que nos faz intuir que tal quantidade de propriedades para região de Resende dá indícios da importância específica da pequena e média propriedade cafeicultora na dinâmica econômica da região, bem como sua coexistência com as grandes propriedades monocultoras de café com seus planteis numerosos de braços escravos[3]. No início da década de 1870 chama-nos a atenção uma declaração no registro de atas da Câmara Municipal de Resende em 1873:
 “... no Município de Resende há mui poucos grandes lavradores, é talvez o Município da Província do Rio de Janeiro onde  propriedade  territorial se acha mais bem dividida e, por conseqüência , onde se encontra maior número de pequenos produtores...”[4]
Apresentamos assim para Resende, um perfil de sociedade não bipolarizada, diferente do apresentado pela historiografia tradicional em estudos de outras regiões, já que no caso de Resende havia uma considerável população de homens livres em relação aos escravos, como observamos entre os três municípios de maior expressão na região do Vale do Médio Paraíba quando da pesquisa A Escravidão em Resende no Século XIX: uma breve introdução à análise econômica[5].  
 Assim Anália Franco nasce num contexto de uma Resende que destoa um pouco dos padrões mais gerais dos “núcleos urbano-rurais”, ou seja das sedes administrativas municipais que tinham por base apoiar a produção cafeeira, era uma cidade machista, escravocrata, monarquista e católica , ou seja, tudo o que não será Anália Franco no decorrer de sua vida. A partir destas premissas e no reforço da relevância apontada por um estudo sobre ela, que nos diz ter sido uma grande educadora brasileira, mas não conhecida nem reconhecida em seu estado natal e também não ser reconhecida em nível nacional como grande educadora foi que nos moveu a este estudo. Há sobre este fato uma instituição chamada GEAE (Grupo avançado de Estudos espíritas), que nos faz o seguinte relato em seu boletim, pois Anália não foi Católica como era comum e geral na sociedade brasileira dos séculos XIX e início do XX:
(...) desta mulher que tanto fez pelo ensino brasileiro, que bem pouco havia progredido até sua época, pouco se fala, quase não se fazem homenagens públicas e não fosse o bairro que lhe leva o nome, onde hoje há um famoso shopping e grandes instituições de ensino, estaria completamente esquecida pelas gerações mais jovens, justamente as maiores beneficiárias de sua atuação revolucionária. (Boletim GEAE, 2003).


Anália Emília Franco, feminista, republicana, abolicionista e espírita, foi tudo o que não queria ser a sociedade daquela época. Seus estudos iniciaram dentro de casa, pois sua mãe, Dona Teresa Emília, sendo professora a ensinou.  A Resende do ano de nascimento de Anália era uma Resende embalada no sucesso de sua produção cafeeira, na Câmara Municipal tínhamos como presidente Reverendo Padre Joaquim Pereira Escobar, vigário e homem público de grande valor para administração pública do recém formado município que havia somente quatro anos sido elevado da categoria de vila a cidade. O então Município de Resende era formado pelas freguesias de Nossa Senhora da Conceição, São Vicente Ferrer, São José do Campo Bello e Senhor Bom Jesus de Sant´Anna dos Tocos, com pujante atividade econômica existiam 24 profissionais liberais, 54 comerciantes, 434 fazendeiros e lavradores divididos entre as pequenas, médias e grandes propriedades produtoras não só de café mas algumas com engenho e produção de cana, quanto a fábricas e oficinas existiam em número de 13.

 Igualmente importantes para o município nesta época foram as figuras do Cel. GN Fabiano Pereira Barreto e Dr. Joaquim Gomes Jardim, os médicos Dr. Custódio Luiz de Miranda, Dr. Gustavo Gomes Jardim e Dr. Thomaz Whately. Na educação destacamos as figuras de Bernarda Emília do Prado Brandão que conduzia uma escola pública para meninas na Rua do Rosário número 31, temos ainda o professor público Joaquim José Jorge que conduzia a escola de primeiras letras no número 27 da mesma rua. Existia também nesta época o Collegio Rezende de instrução primária e secundária criado em 1851 pelo Dr. Joaquim Pinto Brasil, irmão da mais famosa educadora do século XIX, Nísia Floresta[6].
Segundo seus biógrafos, em 1861, a família se transfere de Resende para São Paulo, onde estudou em uma escola cuja direção era de sua mãe e em 1868, com 15 anos, se formou professora conquistando a seguir, por provisão de concurso público, o cargo de professora chegando a trabalhar ao lado da mãe.
Anália Franco, já formada pela escola normal, passa sua vida de trabalho fundando abrigos para órfãos, asilos, colônias regeneradoras, creches e escolas maternais em que aplicou seus próprios métodos de educação e ensino. Colaborou, de forma bastante ativa, em revistas feministas, como A Mensageira, A Família e O Eco das Damas. Além de escrever para estas revistas literárias, criou também a sua própria revista: o Álbum das Meninas, revista literária e educativa dedicada às jovens brasileiras, cuja edição iniciou em 1898 e onde publicou a maior parte de seus contos e romances. Fundou mais de setenta escolas e mais de vinte asilos para crianças órfãs. Na cidade de São Paulo, fundou uma importante instituição de auxílio a mulheres em região antes afastada do centro, onde é hoje o Bairro paulistano Jardim Anália Franco.  Neste sentido fica claro seu pensamento muito avançado para o Brasil de fins do século XIX e início do século XX onde postula :
“1º recolher as mulheres pobres, com ou sem filhos, que se acham ao desamparo; 2º meninas órfãs ou filhas de pais inválidos; 3º meninos com suas mães, até 8 anos; 4º os filhos de mães operárias de 2 anos para cima; 5º criar aulas de instrução primária, secundária e profissional, diurnas e noturnas, para as asiladas ou não; 6º criar secções especiais para enfermeiras (sic) e mulheres arrependidas (sic).”[7]
Com a Lei do Ventre Livre, Anália mostra sua verdadeira vocação literária, que segundo seus biógrafos, já era por esse tempo,notável como literata, jornalista e poetisa; entretanto, chegou ao seu conhecimento que os filhos de escravas que estavam por nascer eram previamente destinados à “Roda”[8] da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Nesta época, perambulavam mendicantes pelas estradas e pelas ruas, os jovens negros expulsos das fazendas por serem impróprios para o trabalho. Não eram negociáveis como seus pais, e os adquirentes de cativos davam preferência às escravas que não tinham filhos no ventre.  Então, Anália escreveu apelando para as mulheres fazendeiras a fim de socorrer as criancinhas necessitadas.
            Em 1911, conseguiu, sem qualquer recurso financeiro, adquirir a chácara Paraíso, de 75 alqueires de terra, parte em matas e capoeiras, e o restante ocupado com benfeitorias diversas, entre as quais um velho Solar, ocupado, durante longos anos, por uma das mais notáveis figuras da História do Brasil: Diogo Antonio Feijó. Nessa chácara, fundou a “Colônia Regeneradora D. Romualdo”, aproveitando o casarão, a estrebaria e a antiga senzala, internando ali, sob direção feminina, os garotos mais aptos para a lavoura, a horticultura e outras atividades agropastoris, recolhendo, ainda, moças desviadas, e conseguindo, assim, regenerar centenas de mulheres.[9]
          Ao final, o resultado quantitativo da obra educacional, pedagógica, humanitária e social desta resendense ilustre foi de 71 Escolas, 2 albergues, 1 colônia regeneradora para mulheres, 23 asilos para crianças órfãs, 1 banda musical feminina, 1 orquestra, 1 Grupo Dramático, além de oficinas para manufatura de chapéus, flores artificiais, em 24 cidades do interior e na Capital de São Paulo. Além disto, coloco ainda o fator qualitativo exposto numa vasta obra literária com romances, contos, crônicas, poesias, textos de peças teatrais.

Anália veio a falecer no dia 13 de janeiro de 1919, na cidade de São Paulo. Sua presença ainda é bastante marcante, existem ruas, avenidas, bairro, logradouros, shopping center e uns cem números de coisas e lugares que marcam a presença efetiva da humanista e pedagoga social Anália Franco na São Paulo de hoje.  E é lembrando do poeta resendense Luis Pistarini é que fechamos este artigo com um trecho expressivo do poema que fez para o centenário da cidade, e serve muito bem para homenagear a esta mulher brasileira : “...Resende, terra de poetas, artistas e heróis...”. Anália foi poetisa, foi artista quando criava textos para teatro, por fim, foi heroína por enfrentar inúmeras dificuldades frente a uma sociedade machista, católica, monarquista, preconceituosa e escravocrata.

Bibliografia

Almanak Laemmert de Resende – Universidade de Chicago. Disponível em: <www.crl.uchicagoo.edu>. Acessado em: 10 abr. 2008.

Almanaque Laemmert. 1850-1856. Município de Resende.

Almanaque Laemmert. 1868-1877. Município de Resende.

BARROS, Maria Cândida Silveira. Vida e obra de Anália Franco. [s. l.]: Edição da Autora, 1982.

BITTENCOURT, Adalzira. A mulher paulista na História. Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1954.

Boletim GEAE - Grupo avançado de estudos espíritas. Disponível em: <http://www.geae.inf.br/>. Acessado em: 14 de outubro de 2014.

BOPP, Itamar.  Casamentos na Matriz de Resende.  Instituto Genealógico Brasileiro, 1971.

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Anexo I
A obra de Anália Emília Franco
Romances:
A filha do artista. Romance. [s. l.]:Tipografia Globo, 1899;
A égide materna. Romance. Publicado em fascículos na revista Álbum das Meninas;
A filha adotiva. Romance. Publicado em fascículos na revista Álbum das Meninas.
Contos:
"O canoeiro"; "O orfãozinho"; "A cruz do arroio"; "D. Constantino"; "Inesília (caso verdadeiro)"; "Idílio agreste"; "A sempre-viva"; "Um suicida (caso verdadeiro)"; "Malvina"; "À borda do abismo"; "Uma reminiscência”; “História de Alcina (caso verdadeiro)"; "A cretina"; "Celina"; "As ruínas"; "As duas irmãs"; "Contos cômicos"; "Minha terra"; "O arlequim"; "O carpinteiro"; "O café"; "Contos infantis n. 1 (História de Eudóxia)"; "Contos Infantis n. 2 (História de Lídia)"; "Enéas".
Poesias:
"Uma saudade"; "A mãe de ouro"; "O canoeiro" (em meio ao conto); "Miséria e fé"; "Inesília" (em meio ao conto); "A doida"; "A agonia de Jesus"; "Caridade"; "As duas irmãs" (em meio ao conto).
Peças teatrais:
"A escolinha", (em um ato); "A feiticeira", drama em três atos; "A caipirinha", comédia em um ato; "As criançolas", comédia em um ato; "A filha ingrata", drama em dois atos; "A neta vaidosa", drama em dois atos; "Quim-quim", comédia em um ato; "Retrato de Lina", comédia em um ato; "As duas colegiais", dois atos.
Crônicas:
"As vítimas do egoísmo social"; "O Liceu Salesiano"; "A mãe virtuosa"; "A Caridade"; "Instrução obrigatória"; "13 de Maio"; "Intuição moral"; "Educação maternal"; "Educação Física"; "Os pobres"; "Às minhas patrícias"; "As creches"; "Nossa apatia intelectual"; "Questões sociais"; "O nosso indiferentismo"; "Os filhos"; "Notas sobre Educação"; "A lei do trabalho"; "O ensino complementar e profissional da mulher"; "XV de Novembro"; "Impressões de Natal"; "Instrução popular"; "O dia de Ano bom"; "O enjeitadinho"; "Notas sobre a educação feminina"; "As filhas do mal"; "O lar feliz"; "Impressões de M’Boi (Embu)"; "Os grandes pensadores"; "A mulher e sua educação"; "As mães"; "A nossa educação"; "Educação feminina"; "Conflitos modernos"; "As mães e professoras"; "A nossa apatia mental"; "Notas de uma instituidora".



[1] MOTTA SOBRINHO, Alves. A civilização do café. São Paulo: Brasiliense, 1978. p. 24.
[2] Almanaque Laemmert (1850.p. 163-173)
[3] O assunto foi alvo de estudo e comprovado através da dissertação de mestrado “Pequenos e médios proprietários: relações de poder em uma economia latifundiária – Resende século XIX.” USS, Vassouras - 2006. Autor: Prof. Mestre em História Social Julio Cesar Fidelis Soares.
[4] Ata da Câmara Municipal de Resende -1873.
[5] Este estudo centrou-se na preparação de uma pesquisa mais ampla e profunda do processo da escravidão no município de Resende na Província do Rio de Janeiro. Uma vez que tal município tem grande importância frente à História Econômica do Brasil, no sentido em que foi pioneiro na implantação dos cafezais no Vale do Paraíba Fluminense, bem como pólo dispersor desta cultura para Províncias de São Paulo e Minas Gerais. Numa tentativa de leitura econômica de questão do trabalho escravo do ponto de vista do comprador desta força de trabalho, podemos visualizar algumas características que diferem o trabalho escravo do trabalho livre remunerado na  região de Resende.

[6] Nísia Floresta, cujo nome verdadeiro era Dionísia Gonçalves Pinto, escreveu 15 livros, tendo sua obra conquistado grande prestígio, não somente no Brasil, mas também em diversos países da Europa. Irmã de Joaquim Pinto Brasil, que foi professor do Dr. Luiz Pereira Barretto em cuja escola aprendeu as primeiras letras, fazendo ainda parte de seus preparatórios no Colégio Brasil, uma das mais significativas figuras do pensamento científico nacional dentro da corrente positivista, viveu oitenta e três anos, nasceu em Resende-RJ à 11 de janeiro de 1840 e faleceu em São Paulo à 11 de janeiro de 1923. Dr. Luiz Pereira Barretto foi um dos fundadores da Escola Paulista de Medicina hoje pertencente a USP.
[7] FRANCO, 1903. p.5. Apud Incontri, 2001
[8] A Roda foi idealizada em Portugal para Santa Casa de Misericórdia de Lisboa e servia para que “as pobres crianças enjeitadas não fossem disputadas pelos cães vadios da cidade”. A Roda, era um cilindro oco de madeira que gira em torno do próprio eixo e com abertura em uma das faces, ficava voltada para uma janela, por onde eram colocadas as crianças. A mãe batia na madeira para avisar o porteiro, que aguardava do lado de dentro para não ver seu rosto e girava a Roda, recolhendo o abandonado. Disponível em: <http://www.cremesp.org.br/revistasermedico/sermedico040506_2002/historia_medicina.htm>. Acessado em: 10/4/2008 17:11.
[9] Disponível em: <http://www.evangelho.espiritismo.nom.br/personalidades/analia.htm>. Acessado em: 10/4/2008 17:28.