terça-feira, 14 de outubro de 2014

Anália Franco: uma educadora na legítima expressão da palavra

Por Julio Cesar Fidelis Soares -ARDHIS \ IEV\ AHIMTB

RESUMO 
Este artigo é um estudo preliminar sobre os professores e educadores e as escolas que atuavam em Resende, Província do Rio de Janeiro, no século XIX, numa busca do que representaram socialmente. A análise dos elementos da representação social destes mestres e das suas escolas nos ajudará a entender um pouco mais sobre a história da educação em Resende bem como da região do Vale do Paraíba Fluminense no período da produção cafeeira e suas interfaces com a sociedade brasileira.
Palavras-chave: educação, história, escolas e educadores.

A educação é fator preponderante ou principal para o desenvolvimento social e econômico de um país ou região, não mero elemento de visualização de crescimento, mas um efetivo instrumento de melhoria de desempenho nas mais diversas áreas de melhoria dos níveis de qualidade de vida econômica e social.
      Assim sendo, é necessário conhecer a história de nossas escolas para sabermos em que contexto elas foram criadas, sua organização, que cursos ofereciam em cada período de sua existência, quem foram seus dirigentes, seus professores e tantos outros aspectos próprios das pesquisas não quantitativas, mas com um foco extremamente qualitativo onde podemos aprender mais, não só sobre as escolas como um todo, mas também quem eram aqueles que trabalhavam no ambiente educacional. De outra maneira, tal estudo nos possibilita conhecer a história das unidades escolares através do resgate de seus documentos, que são de extrema importância para o reconhecimento histórico, pois conseguem registrar o dia-a-dia das atividades das unidades escolares.
            Pensando neste mundo da educação é que colocamos o nosso objetivo, que é regatar informações sobre a educação em Resende através de fontes de consulta primárias, para que os estudiosos e memorialistas da História da Educação, especificamente, possam dar vida e voz à memória das antigas unidades escolares de Resende. Bem como àqueles, no século XIX, que trabalharam na educação não só com foco regional, mas também com expressão nacional. Época em que nossa região do Vale do Paraíba Fluminense, Resende, se despontou não só como pioneira na produção cafeeira, mas também como foco dispersor desta cultura para outras regiões do país.
 E é assim que se faz mister resgatar um pouco da história de uma resendense pouco conhecida em sua terra natal, mas que fez muito pela educação do Brasil até a primeira metade do século XX.  Falo então de Anália Emília Franco, nascida em Resende em 10 de fevereiro de 1853, filha de Teresa Emília de Jesus e de Antonio Mariano Franco Junior. A Resende dos anos 50 do século XIX era uma cidade pujante do ponto de vista econômico e social.  No ano de 1854 a produção do Vale fluminense era de 7.988.551 arrobas, superando a produção do Vale paulista que chegava a monta de 2.737.639 arrobas.[1] No entanto, apesar de toda essa euforia cafeicultora, a região de Resende nunca ocupará o lugar de maior produtora de café da província do Rio de Janeiro. A Cidade de Resende foi grande centro produtor, mas não o maior. Mesmo que no início do século XIX seja Resende o centro irradiador do café, espalhando-o por todo o Vale do Paraíba, será Vassouras, Valença, Paraíba do Sul, Barra Mansa e Piraí que possuirão as maiores fazendas e também a maior produção. Um dado bem interessante buscado no Almanaque Laemmert de 1850, nos informa que em Resende o café era produzido em quatro freguesias, por 413 fazendeiros[2], em Vassouras 82 fazendeiros, 62 em Barra Mansa e 54 fazendeiros em Valença. O que nos faz intuir que tal quantidade de propriedades para região de Resende dá indícios da importância específica da pequena e média propriedade cafeicultora na dinâmica econômica da região, bem como sua coexistência com as grandes propriedades monocultoras de café com seus planteis numerosos de braços escravos[3]. No início da década de 1870 chama-nos a atenção uma declaração no registro de atas da Câmara Municipal de Resende em 1873:
 “... no Município de Resende há mui poucos grandes lavradores, é talvez o Município da Província do Rio de Janeiro onde  propriedade  territorial se acha mais bem dividida e, por conseqüência , onde se encontra maior número de pequenos produtores...”[4]
Apresentamos assim para Resende, um perfil de sociedade não bipolarizada, diferente do apresentado pela historiografia tradicional em estudos de outras regiões, já que no caso de Resende havia uma considerável população de homens livres em relação aos escravos, como observamos entre os três municípios de maior expressão na região do Vale do Médio Paraíba quando da pesquisa A Escravidão em Resende no Século XIX: uma breve introdução à análise econômica[5].  
 Assim Anália Franco nasce num contexto de uma Resende que destoa um pouco dos padrões mais gerais dos “núcleos urbano-rurais”, ou seja das sedes administrativas municipais que tinham por base apoiar a produção cafeeira, era uma cidade machista, escravocrata, monarquista e católica , ou seja, tudo o que não será Anália Franco no decorrer de sua vida. A partir destas premissas e no reforço da relevância apontada por um estudo sobre ela, que nos diz ter sido uma grande educadora brasileira, mas não conhecida nem reconhecida em seu estado natal e também não ser reconhecida em nível nacional como grande educadora foi que nos moveu a este estudo. Há sobre este fato uma instituição chamada GEAE (Grupo avançado de Estudos espíritas), que nos faz o seguinte relato em seu boletim, pois Anália não foi Católica como era comum e geral na sociedade brasileira dos séculos XIX e início do XX:
(...) desta mulher que tanto fez pelo ensino brasileiro, que bem pouco havia progredido até sua época, pouco se fala, quase não se fazem homenagens públicas e não fosse o bairro que lhe leva o nome, onde hoje há um famoso shopping e grandes instituições de ensino, estaria completamente esquecida pelas gerações mais jovens, justamente as maiores beneficiárias de sua atuação revolucionária. (Boletim GEAE, 2003).


Anália Emília Franco, feminista, republicana, abolicionista e espírita, foi tudo o que não queria ser a sociedade daquela época. Seus estudos iniciaram dentro de casa, pois sua mãe, Dona Teresa Emília, sendo professora a ensinou.  A Resende do ano de nascimento de Anália era uma Resende embalada no sucesso de sua produção cafeeira, na Câmara Municipal tínhamos como presidente Reverendo Padre Joaquim Pereira Escobar, vigário e homem público de grande valor para administração pública do recém formado município que havia somente quatro anos sido elevado da categoria de vila a cidade. O então Município de Resende era formado pelas freguesias de Nossa Senhora da Conceição, São Vicente Ferrer, São José do Campo Bello e Senhor Bom Jesus de Sant´Anna dos Tocos, com pujante atividade econômica existiam 24 profissionais liberais, 54 comerciantes, 434 fazendeiros e lavradores divididos entre as pequenas, médias e grandes propriedades produtoras não só de café mas algumas com engenho e produção de cana, quanto a fábricas e oficinas existiam em número de 13.

 Igualmente importantes para o município nesta época foram as figuras do Cel. GN Fabiano Pereira Barreto e Dr. Joaquim Gomes Jardim, os médicos Dr. Custódio Luiz de Miranda, Dr. Gustavo Gomes Jardim e Dr. Thomaz Whately. Na educação destacamos as figuras de Bernarda Emília do Prado Brandão que conduzia uma escola pública para meninas na Rua do Rosário número 31, temos ainda o professor público Joaquim José Jorge que conduzia a escola de primeiras letras no número 27 da mesma rua. Existia também nesta época o Collegio Rezende de instrução primária e secundária criado em 1851 pelo Dr. Joaquim Pinto Brasil, irmão da mais famosa educadora do século XIX, Nísia Floresta[6].
Segundo seus biógrafos, em 1861, a família se transfere de Resende para São Paulo, onde estudou em uma escola cuja direção era de sua mãe e em 1868, com 15 anos, se formou professora conquistando a seguir, por provisão de concurso público, o cargo de professora chegando a trabalhar ao lado da mãe.
Anália Franco, já formada pela escola normal, passa sua vida de trabalho fundando abrigos para órfãos, asilos, colônias regeneradoras, creches e escolas maternais em que aplicou seus próprios métodos de educação e ensino. Colaborou, de forma bastante ativa, em revistas feministas, como A Mensageira, A Família e O Eco das Damas. Além de escrever para estas revistas literárias, criou também a sua própria revista: o Álbum das Meninas, revista literária e educativa dedicada às jovens brasileiras, cuja edição iniciou em 1898 e onde publicou a maior parte de seus contos e romances. Fundou mais de setenta escolas e mais de vinte asilos para crianças órfãs. Na cidade de São Paulo, fundou uma importante instituição de auxílio a mulheres em região antes afastada do centro, onde é hoje o Bairro paulistano Jardim Anália Franco.  Neste sentido fica claro seu pensamento muito avançado para o Brasil de fins do século XIX e início do século XX onde postula :
“1º recolher as mulheres pobres, com ou sem filhos, que se acham ao desamparo; 2º meninas órfãs ou filhas de pais inválidos; 3º meninos com suas mães, até 8 anos; 4º os filhos de mães operárias de 2 anos para cima; 5º criar aulas de instrução primária, secundária e profissional, diurnas e noturnas, para as asiladas ou não; 6º criar secções especiais para enfermeiras (sic) e mulheres arrependidas (sic).”[7]
Com a Lei do Ventre Livre, Anália mostra sua verdadeira vocação literária, que segundo seus biógrafos, já era por esse tempo,notável como literata, jornalista e poetisa; entretanto, chegou ao seu conhecimento que os filhos de escravas que estavam por nascer eram previamente destinados à “Roda”[8] da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Nesta época, perambulavam mendicantes pelas estradas e pelas ruas, os jovens negros expulsos das fazendas por serem impróprios para o trabalho. Não eram negociáveis como seus pais, e os adquirentes de cativos davam preferência às escravas que não tinham filhos no ventre.  Então, Anália escreveu apelando para as mulheres fazendeiras a fim de socorrer as criancinhas necessitadas.
            Em 1911, conseguiu, sem qualquer recurso financeiro, adquirir a chácara Paraíso, de 75 alqueires de terra, parte em matas e capoeiras, e o restante ocupado com benfeitorias diversas, entre as quais um velho Solar, ocupado, durante longos anos, por uma das mais notáveis figuras da História do Brasil: Diogo Antonio Feijó. Nessa chácara, fundou a “Colônia Regeneradora D. Romualdo”, aproveitando o casarão, a estrebaria e a antiga senzala, internando ali, sob direção feminina, os garotos mais aptos para a lavoura, a horticultura e outras atividades agropastoris, recolhendo, ainda, moças desviadas, e conseguindo, assim, regenerar centenas de mulheres.[9]
          Ao final, o resultado quantitativo da obra educacional, pedagógica, humanitária e social desta resendense ilustre foi de 71 Escolas, 2 albergues, 1 colônia regeneradora para mulheres, 23 asilos para crianças órfãs, 1 banda musical feminina, 1 orquestra, 1 Grupo Dramático, além de oficinas para manufatura de chapéus, flores artificiais, em 24 cidades do interior e na Capital de São Paulo. Além disto, coloco ainda o fator qualitativo exposto numa vasta obra literária com romances, contos, crônicas, poesias, textos de peças teatrais.

Anália veio a falecer no dia 13 de janeiro de 1919, na cidade de São Paulo. Sua presença ainda é bastante marcante, existem ruas, avenidas, bairro, logradouros, shopping center e uns cem números de coisas e lugares que marcam a presença efetiva da humanista e pedagoga social Anália Franco na São Paulo de hoje.  E é lembrando do poeta resendense Luis Pistarini é que fechamos este artigo com um trecho expressivo do poema que fez para o centenário da cidade, e serve muito bem para homenagear a esta mulher brasileira : “...Resende, terra de poetas, artistas e heróis...”. Anália foi poetisa, foi artista quando criava textos para teatro, por fim, foi heroína por enfrentar inúmeras dificuldades frente a uma sociedade machista, católica, monarquista, preconceituosa e escravocrata.

Bibliografia

Almanak Laemmert de Resende – Universidade de Chicago. Disponível em: <www.crl.uchicagoo.edu>. Acessado em: 10 abr. 2008.

Almanaque Laemmert. 1850-1856. Município de Resende.

Almanaque Laemmert. 1868-1877. Município de Resende.

BARROS, Maria Cândida Silveira. Vida e obra de Anália Franco. [s. l.]: Edição da Autora, 1982.

BITTENCOURT, Adalzira. A mulher paulista na História. Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1954.

Boletim GEAE - Grupo avançado de estudos espíritas. Disponível em: <http://www.geae.inf.br/>. Acessado em: 14 de outubro de 2014.

BOPP, Itamar.  Casamentos na Matriz de Resende.  Instituto Genealógico Brasileiro, 1971.

________. Notas Genealógicas.  São Paulo: Sangirardi,1987.

INCONTRI, Dora. A Educação segundo o Espiritismo. Bragança Paulista: Comenius, 2003.

________. A Educação da Nova Era. São Paulo: Comenius, 2001.

MAIA, João de Azevedo Carneiro. Do descobrimento do Campo Alegre à criação da Vila de Resende. Rio de Janeiro:[S.Ed], 1886.

________. Notícias históricas e estatísticas do município de Resende desde a sua fundação. Rio de Janeiro: 1891 [ Monografia].

MONTEIRO, Eduardo Carvalho. Anália Franco: a grande dama da educação brasileira. São Paulo: Eldorado Espírita, 1992. p. 245.

PEDREIRA, Jose Rodrigues. Resende em revista. Volta Redonda: Gazetilha, 1975.

PEREIRA, Rafael dos Santos. Um estudo sobre a pedagogia espírita e seus pressupostos filosóficos. Campinas: [s.e], 2006. – Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educação.

SAINT- HILAIRE, Auguste de. Viagem à província de São Paulo. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1976.

________. Viagem pelas províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1978. (Início do Século XIX).

________. Segunda viagem do Rio de Janeiro a Minas Gerais e a São Paulo. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1822.

Universidade Federeal de Santa Catarina. A mulher na literatura. Disponível em: <http://www.amulhernaliteratura.ufsc.br/catalogo/analia_vida.html>. Acessado em: 10 abr. 2008.

WHATELY, Maria Celina. O café em Resende no século XIX. Rio de Janeiro: José Olympio, 1987.
________. Resende, a cultura pioneira do café no Vale do Paraíba. Niterói: La Salle, 2003.

________. & GODOY, Maria Cristina F. M.– ARDHIS – Academia Resendense de História. Resende, crônicas dos duzentos anos. Resende: La Salle, 2001.



Anexo I
A obra de Anália Emília Franco
Romances:
A filha do artista. Romance. [s. l.]:Tipografia Globo, 1899;
A égide materna. Romance. Publicado em fascículos na revista Álbum das Meninas;
A filha adotiva. Romance. Publicado em fascículos na revista Álbum das Meninas.
Contos:
"O canoeiro"; "O orfãozinho"; "A cruz do arroio"; "D. Constantino"; "Inesília (caso verdadeiro)"; "Idílio agreste"; "A sempre-viva"; "Um suicida (caso verdadeiro)"; "Malvina"; "À borda do abismo"; "Uma reminiscência”; “História de Alcina (caso verdadeiro)"; "A cretina"; "Celina"; "As ruínas"; "As duas irmãs"; "Contos cômicos"; "Minha terra"; "O arlequim"; "O carpinteiro"; "O café"; "Contos infantis n. 1 (História de Eudóxia)"; "Contos Infantis n. 2 (História de Lídia)"; "Enéas".
Poesias:
"Uma saudade"; "A mãe de ouro"; "O canoeiro" (em meio ao conto); "Miséria e fé"; "Inesília" (em meio ao conto); "A doida"; "A agonia de Jesus"; "Caridade"; "As duas irmãs" (em meio ao conto).
Peças teatrais:
"A escolinha", (em um ato); "A feiticeira", drama em três atos; "A caipirinha", comédia em um ato; "As criançolas", comédia em um ato; "A filha ingrata", drama em dois atos; "A neta vaidosa", drama em dois atos; "Quim-quim", comédia em um ato; "Retrato de Lina", comédia em um ato; "As duas colegiais", dois atos.
Crônicas:
"As vítimas do egoísmo social"; "O Liceu Salesiano"; "A mãe virtuosa"; "A Caridade"; "Instrução obrigatória"; "13 de Maio"; "Intuição moral"; "Educação maternal"; "Educação Física"; "Os pobres"; "Às minhas patrícias"; "As creches"; "Nossa apatia intelectual"; "Questões sociais"; "O nosso indiferentismo"; "Os filhos"; "Notas sobre Educação"; "A lei do trabalho"; "O ensino complementar e profissional da mulher"; "XV de Novembro"; "Impressões de Natal"; "Instrução popular"; "O dia de Ano bom"; "O enjeitadinho"; "Notas sobre a educação feminina"; "As filhas do mal"; "O lar feliz"; "Impressões de M’Boi (Embu)"; "Os grandes pensadores"; "A mulher e sua educação"; "As mães"; "A nossa educação"; "Educação feminina"; "Conflitos modernos"; "As mães e professoras"; "A nossa apatia mental"; "Notas de uma instituidora".



[1] MOTTA SOBRINHO, Alves. A civilização do café. São Paulo: Brasiliense, 1978. p. 24.
[2] Almanaque Laemmert (1850.p. 163-173)
[3] O assunto foi alvo de estudo e comprovado através da dissertação de mestrado “Pequenos e médios proprietários: relações de poder em uma economia latifundiária – Resende século XIX.” USS, Vassouras - 2006. Autor: Prof. Mestre em História Social Julio Cesar Fidelis Soares.
[4] Ata da Câmara Municipal de Resende -1873.
[5] Este estudo centrou-se na preparação de uma pesquisa mais ampla e profunda do processo da escravidão no município de Resende na Província do Rio de Janeiro. Uma vez que tal município tem grande importância frente à História Econômica do Brasil, no sentido em que foi pioneiro na implantação dos cafezais no Vale do Paraíba Fluminense, bem como pólo dispersor desta cultura para Províncias de São Paulo e Minas Gerais. Numa tentativa de leitura econômica de questão do trabalho escravo do ponto de vista do comprador desta força de trabalho, podemos visualizar algumas características que diferem o trabalho escravo do trabalho livre remunerado na  região de Resende.

[6] Nísia Floresta, cujo nome verdadeiro era Dionísia Gonçalves Pinto, escreveu 15 livros, tendo sua obra conquistado grande prestígio, não somente no Brasil, mas também em diversos países da Europa. Irmã de Joaquim Pinto Brasil, que foi professor do Dr. Luiz Pereira Barretto em cuja escola aprendeu as primeiras letras, fazendo ainda parte de seus preparatórios no Colégio Brasil, uma das mais significativas figuras do pensamento científico nacional dentro da corrente positivista, viveu oitenta e três anos, nasceu em Resende-RJ à 11 de janeiro de 1840 e faleceu em São Paulo à 11 de janeiro de 1923. Dr. Luiz Pereira Barretto foi um dos fundadores da Escola Paulista de Medicina hoje pertencente a USP.
[7] FRANCO, 1903. p.5. Apud Incontri, 2001
[8] A Roda foi idealizada em Portugal para Santa Casa de Misericórdia de Lisboa e servia para que “as pobres crianças enjeitadas não fossem disputadas pelos cães vadios da cidade”. A Roda, era um cilindro oco de madeira que gira em torno do próprio eixo e com abertura em uma das faces, ficava voltada para uma janela, por onde eram colocadas as crianças. A mãe batia na madeira para avisar o porteiro, que aguardava do lado de dentro para não ver seu rosto e girava a Roda, recolhendo o abandonado. Disponível em: <http://www.cremesp.org.br/revistasermedico/sermedico040506_2002/historia_medicina.htm>. Acessado em: 10/4/2008 17:11.
[9] Disponível em: <http://www.evangelho.espiritismo.nom.br/personalidades/analia.htm>. Acessado em: 10/4/2008 17:28.

sábado, 27 de setembro de 2014

A Freguesia de Nosso Senhor Bom Jesus do Livramento de Sant'Anna dos Tocos

     Por Julio Cesar Fidelis Soares

Neste ano de 2014 que Resende faz 213 anos de criação da Cidade, é importante comemorarmos relembrando e elevando a memória deste município que tem uma história intrigante e interessante para aqueles que querem conhecer um pouco da história da Província do Rio de Janeiro no século XIX, período áureo da produção cafeeira.

Então pensamos em realizar um pequeno estudo sobre uma das freguesias de Resende que mais atrai e encanta mesmo tendo desaparecido sob as águas do Rio Paraíba do Sul na Represa do Funil terminada no ano de 1968. 
Segundo estudos realizados e publicados pela Academia Resendense de História, o arraial do Nosso Senhor Bom Jesus do Livramento de Sant´Anna dos Tocos tem seu primeiro registro em 1829, passando a Curato no ano de 1830. Fazendo divisa com a província de São Paulo, era ponto de parada e descanso dos tropeiros. Vem da presença destes tropeiros o nome Sant´Anna dos Tocos, pois ao deixarem os acampamentos ficavam sobra de tocos que eram usados talvez para amarar as montarias e os animais de carga, outra versão seria os tocos que usavam para as fogueiras e que deixavam para trás. 






    Em 1843 Sant´Anna foi elevada à categoria de Freguesia pelo decreto número 281, de 23 de março do mesmo ano. O Almanak Laemmert de 1866 nos descreve Sant´Anna da seguinte forma:

“Esta freguezia com pequeno povoado à margem direita do rio Parahyba, com quatro léguas acima de Rezende, foi capella curada até 1843 [...] A sua população se acha bastante disseminada , e é talvez a maior e mais rica da circumvizinhaça. Conta 28 cidadãos jurados, e concorre às eleições com 9 eleitores de parochia.”

   Em 1878 Sant´Anna  possuía  uma população livre de 1.950 habitantes e 1.389 escravos, formando um total de 3.339 habitantes, o que era um número considerável em comparação com a população do núcleo principal, a freguesia de Nossa Senhora da Conceição, que segundo cálculos da  época tinha umas 500 casas ocupadas por 3.600 habitantes. Já em 1880 a vila de Sant`Anna tinha uma população livre de 2.378 habitantes, com escola para ambos os sexos e contribuía para os pleitos eleitorais com 9 eleitores registrados.

Num relato extraído da edição de 1885 do Almanak Laemmert, este nos descreve de maneira muito interessante a famosa Sant`Anna dos Tocos:
“Produz especialmente café, achando-se em grande desenvolvimento a cultura da canna e de cereaes só para consumo. Tem uma pequena, mas bem acabada igreja e um cemitério público, ainda não murado, apezar de haver uma verba no orçamento provincial para esse fim. 
Assentada sobre um verde e extenso valle circundado por altaneira montanhas, é banhada esta freguezia pelo magestoso Parahyba, que corre formando aqui e ali pequenas e graciosas ilhas sempre verdejantes e matizadas de flores. É este um logar lindíssimo e talves um dos mais pitorescos do grande valle do parahyba.  Outrora foi animada e progressiva, hoje, porém, devido às inctas políticas, ao abandono do governo provincial, acha-se ella muito decadente, e mais parece uma aldea abandonada, que uma freguezia do rico município de Rezende, que uma povoação da opulenta província do Rio de Janeiro.”
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  Sant`Anna era terra fértil não só para o café mas para idéias, poesias. Oriundos destas terras eram os poetas Sérvulo Gonçalves e Ezequiel Freire.  Nos registros de 1883 do Almanak Laemmert aparece Sérvulo como cafeicultor e Alferes da Guarda Nacional, já Ezequiel foi grande poeta cuja obra mereceu elogios de Machado de Assis e Ramalho Ortigão.  Ainda no campo das idéias, agora no campo das doutrinas econômicas temos em Sant´Anna Paxedes Gonçalves que segundo a reportagem do jornal O Globo que a época da inundação(1968), tinha idéias socialistas e pregava a criação de um partido operário já no século dezenove. Ao lembrarmos de Sant´Anna resgatamos das brumas do passado uma parte importante de Resende do século XIX, e até mesmo entendemos de fato o que quer dizer aquele trecho de Luiz Pistarini  no hino a Resende que diz: “...terra de artistas, poetas e heróis...”.  A Freguesia do Senhor Bom Jesus do Livramento de Sant´Anna dos Tocos vive em nossa memória mesmo que as águas turvas do Rio Paraíba tenham a engolido, como uma quimera sempre haverá na memória e no coração de um descendente de nossa Sant`Anna uma velha história a contar e contando vemos e ouvimos as vozes da Resende do século XIX.
Arquivo Público do Rio de Janeiro
Registros Paroquiais de Terras 1854

Livro 67: Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Campo Alegre

Livro 68: Freguesia de São José do Campo Bello

Livro 69: Freguesia de São Vicente Ferrer

Livro 70: Freguesia de Senhor Bom Jesus do Ribeirão de Sant’Anna

Almanaque Laemmert. Administrativo, Mercantil e Industrial Ed. H. Laemmert & C Rio de Janeiro – 1846 a 1885. 
Almanaque Laemmert. 1846. Município de Resende
Almanaque Laemmert. 1866. Município de Resende
Almanaque Laemmert. 1868. Município de Resende
Almanaque Laemmert. 1877. Município de Resende
Almanaque Laemmert. 1880. Município de Resende 
Almanaque Laemmert. 1881. Município de Resende
Almanaque Laemmert. 1883. Município de Resende
Almanaque Laemmert. 1885. Município de Resende

Jornais e Periódicos da Região

Astro Resendense. 1865-1873.
O Itatiaia. 1876-1890.
“Almanack do Centenário de Rezende para Anno de 1902” - Ed. Typographia e Papelaria “Fonseca” – Resende, 1902.

HISTORIADORES LOCAIS e VIAJANTES

BOPP, Itamar. Casamentos na Matriz de Resende.  Instituto Genealógico Brasileiro, 1971.
____________. Notas Genealógicas.  São Paulo, Gráfica Sangirardi [S. D.].
CASTRO, Antônio Barros de.  Sete ensaios sobre a Economia Brasileira. Rio de Janeiro: Forense, 1971.
FRANCO, Maria Sylvia de Carvalho. Homens livres na ordem escravocrata.  São Paulo: Instituto de Estudos Brasileiros, 1979.
MAIA, João de Azevedo Carneiro. Do descobrimento do Campo Alegre à criação da Vila de Resende. [ S.Ed], 1886.
____________.  Notícias históricas e estatísticas do município de Resende desde a sua fundação. Rio de Janeiro, 1891 [Monografia] .
PEREIRA ,Waldick. Cana , café & laranja : história econômica de Nova Iguaçu. Rio de Janeiro: FGV/SEEC, 1977.
PIZARRO, José de Sousa Azevedo.  Memórias históricas da província do Rio de Janeiro. Rio, 1820.
SAINT- HILAIRE, Auguste de. Viagem à província de São Paulo. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1976.
____________.  Viagem pelas províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1978. (Início do Século XIX).
____________.  Segunda viagem do Rio de Janeiro a Minas Gerais e a São Paulo. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1822.
SODRÉ, Alfredo.  Resende, os cem anos da cidade.  [S.Ed]
WHATELY, Maria Celina. O café em Resende no século XIX. Rio de Janeiro: José Olympio, 1987.
____________.  Resende, a cultura pioneira do café no Vale do Paraíba. Niterói: Gráfica La Salle, 2003.
____________ & GODOY, Maria Cristina F. M. - ARDHIS - Academia Resendense de História. Resende, crônicas dos duzentos anos. Resende: Gráfica La Salle, 2001.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Revolta Liberal de 1842 e Região do Vale do Paraíba


Julio Cesar Fidelis Soares[1]
Revolta 1842 tem  origens  nas disputas políticas  entre Liberais e Conservadores. A Revolta Liberal de 1842 foi um levante dos liberais da província de São Paulo e Minas Gerais em função dos processos eleitorais fraudulentos. Tal período ficou conhecido a época de  
” Eleições do Cacete” o Partido Liberal havia conseguido eleger com hegemonia de deputados eleitos para a Assembleia dos Deputados. O Partido Conservador sabia que os Liberais haviam fraudado as eleições e por isso buscaram a anulação do processo eleitoral. O Conselho de Ministros, formado na maioria por Conservadores, solicitou a D. Pedro II que anulasse os votos da Eleição do Cacete. Em 1842 O Ministério Liberal foi dissolvido e os Conservadores novamente retornaram ao poder. Não aceitando a troca de ministério, os Liberais  iniciaram uma revolta que ficou conhecida como Revolução Liberal de 1842. Assim os Liberais de duas províncias aderiram a revolução, São Paulo e Minas Gerais.
Na província de São Paulo, a Revolta Liberal iniciou-se na Cidade de Sorocaba, o movimento foi liderado pelo ex-regente Antônio Feijó[2] e pelo Brigadeiro Tobias de Aguiar. As cidades do Vale do Paraíba tais como: Taubaté, Pindamonhangaba, Lorena e Silveira se apresentaram como favoráveis aos  Liberais. Já na província de  Minas Gerais a liderança da revolução ficou nas mãos de Teófilo Otoni[3] e tiveram as cidades de Santa Luzia, Santa Bárbara, Caeté e Sabará como núcleo da ideologia liberal dos mineiros. Com tal revolva  os rebeldes liberais tinham o objetivo de  retomar o governo através da luta armada. Eles formariam a Coluna Libertadora  que marcharia até ao Rio de Janeiro para derrubar o Governo Conservador.


Fig.1 Theophilo Benedicto Ottoni líder do movimento em Minas Gerais.
                                  
Fig. 1 Correspondência Gabinete da Regência – 9 de Setembro de 1831 assinada pelo Regente Pe. Diogo Antonio Feijó a Câmara de Resende.1834 fonte: Arquivo Histórico de Resende.
O Governo Imperial contava  com apoio do conservadores para combater os revoltosos liberais; assim  foram organizadas tropas lideradas pelo Barão de Caxias. Que tratou de solicitar apoio, sobretudo dos Corpos da Guarda Nacional comandados especialmente por conservadores de importância tal qual o Coronel da Guarda Nacional Fabiano Pereira Barreto,que tinha a sua disposição segundo o relatório provincial de 1843 que nos relata da organização dos Corpos da Guarda Nacional em nossa região do Vale do Médio Paraíba Fluminense:mostrando  que nas  freguesias de  Resende, São Vicente Ferrer e Sant´Anna na Vila de Resende e nas freguesias de Barra Mansa, Amparo e Espírito Santo na Vila de Barra Mansa eram sede do 1º e 2º Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional, do 9ª Legião comandada pelo Coronel GN Lucas Antonio Monteiro de Barros, figurando também neste contexto um Batalhão de Infantaria. Esta formação de 1843 deveria ser a mesma de 1842.
Segundo Itamar Bopp quando o Comendador Fabiano Pereira Barreto soube dos movimentos revolucionários de Queluz, Silveiras e São José do Barreiro, deu ordem de reunir a seu Corpo da Guarda Nacional, do qual tinha o título de Comandante Superior, pôs a Vila de Resende em estado de “Choque” (hoje falaríamos estado de sítio), a palavra foi citada no ofício enviado por Honório Hermeto Carneiro Leão[4]·, Marquês do Paraná, ao então Presidente da Província do Rio de Janeiro ao Conselheiro Cândido José Araújo Vianna, Marquês de Sapucaí e Ministro da Justiça do Império, diz o texto:
“os abaixo indicados e o CORONEL FABIANO PEREIRA BARRETO, como um dos que mais se distinguiram pela sua cooperação no restabelecimento da ordem legal na Província de Minas Gerais, marchando para Queluz[5], e sua energia contribuiu eficazmente para que a Vila de Resende se comportasse tão brilhantemente.”


Fig.2 Coronel da Guarda Nacional – Comendador Fabiano Pereira Barreto, Comandante Superior das Unidades da Guarda Nacional na região do atual Médio Vale do Rio Paraíba – província do Rio de Janeiro.
Em São Paulo o Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar organizou um contingente de cerca 1500 combatentes, que acabou sendo batizado como “Coluna Libertadora”, marcharam em direção da tomada do poder da Província depondo o Presidente o Barão de Monte Alegre. Nesta altura várias vilas de São Paulo tais como Itu, Faxina (hoje Itapeva), Porto Feliz, Itapetininga, Capivari e Sorocaba eram núcleos Liberais.


Fig.3 Marquês de Paraná – Primeiro Ministro do Império
Em função da progressão do movimento o Barão de Monte Alegre, contou com ajuda de seu amigo o ministro da Guerra José Clemente Ferreira[6]que prontamente deu ordens ao Brigadeiro Luis Alves de Lima e Silva então Barão de Caxias a sufocar a revolta, situação resolvida com desembarque e progressão das tropas imperiais contra a capital da província e as cidades tidas como núcleo dos Liberais.
Na Província de Minas Gerais, a revolta irrompeu a 10 de junho de 1842 em Barbacena, escolhida como sede do governo revolucionário. Foi elevado presidente interino da Província José Feliciano Pinto Coelho da Cunha[7]. Em quatro de julho, em Que luz (com já havíamos dito Conselheiro Lafaiete), as forças legais foram vencidas pelos revoltosos comandados pelo Cel. Antônio Nunes Galvão. Os revoltosos receberam novas adesões notadamente de Santa Luzia, Santa Quitéria, Santa Bárbara, Itabira, Caeté e Sabará. A notícia da derrota dos revoltosos paulistas colocou os mineiros em desacordo sobre atacar Ouro Preto que era capital da Província de Minas Gerais e tinha como Presidente Professor Herculano Ferreira Pena[8].
Caxias foi nomeado comandante do exército Imperial pacificador e emprega a mesma estratégia utilizada em São Paulo, tomar a capital o mais rápido possível, o que ocorre em seis de agosto de 1842 beneficiados pela indecisão dos comandantes revoltosos.
Os revoltosos saem vencedores da Batalha de Lagoa Santa, sob a liderança de Teófilo Ottoni, isto faz com que Caxias reúna suas forças e resolva atacar Santa Luzia, dividindo seu exército em três colunas, uma sob o comando de seu irmão José Joaquim de Lima e Silva Sobrinho[9], outra por ele mesmo e a terceira pelo tenente-coronel Ataídes.

Fig.4 Casa que serviu de Quartel do Comando Revolução em Santa Luzia –MG.
 Entretanto, devido ao desconhecimento do terreno, Caxias é atacado pelos revoltosos, consegue resistir, e com a chegada da coluna de seu irmão, consegue vitória em 20 de agosto. Com isso acaba a revolta na província. Os liberais de São Paulo e os liberais de Minas Gerais foram derrotados e presos pelas tropas comandadas pelo Barão de Caxias.
O Historiador Itamar Bopp procura descrever da seguinte forma ação imediata do império contra Revolta de 1842 “As perturbações da ordem pública nos anos de 1841 e 1842, diminuíram o movimento das comunicações, como se lê nos Decretos seguintes:
  Achando-se interrompidas as comunicações entre os municípios de Cunha,Bananal, Arêas,Queluz,Silveiras,Lorena e Guaratinguetá e Capital da Províncias de São Paulo; e,atendendo além disso à prontidão com que se devem dar as providências tendentes a restabelecer a Ordem perturbada na referida Província pela rebelião que ultimamente se manifestou em alguns lugares della ; Hei por bem que os referidos municípios fiquem desanexados da mencionada Província e, incorporados à do Rio de Janeiro enquanto durarem as circunstancia extraordinárias que tornão indispensável estas providências. Palacio do Rio de Janeiro, 18 de Junho de 1842. 21º da Independência.”[10]
Ao final das hostilidades e resolvidas as “Perturbações” houve o Decreto nº216 de 29 de Agosto de 1842 que revogava o decreto acima citado e diz :
“Tendo cessa os motivos que fizerão necessária a Providência do decreto 180 de 18 de junho do corrente ano,pelo qual foram encorporadas provisóriamente à Província do Rio de Janeiro os municípios das vilas Cunha,Bananal, Arêas,Queluz,Silveiras,Lorena e Guaratinguetá,Hei por bem ordenar que os ditos municípios fiquem pertencendo à Província de São Paulo,pela mesmas maneira por que pertencião antes do referido decreto,que fica assim revogado.Palacio do Rio de Janeiro,em 29 de agosto de 1942. 21ºda Independência e do Império. As.Candido José de Araújo Vianna[11].”
Concluindo este estudo , enfatizo o fato da necessidade de novas pesquisas sobre a formação econômica da região do médio Vale do Paraíba Fluminense, elemento de extrema importância para entendermos a Formação Econômica do Brasil a luz de um novo modelo historiográfico que considere as relações de poder regionalmente e as dinâmicas econômicas vividas por cada recanto do Vale do Paraíba, pois pela historiografia clássica as cidades locais tinham uma pequena relação com as fazendas e a riqueza girava em torno destas e não daquelas, o que no caso de Resende podemos ver exatamente o contrário; com a formação de um grupo bem destacado de pequenos e médios produtores ativos politicamente, ocasionando uma distribuição de renda bem diferente do que se poderia imaginar face as grandes propriedades. Tudo isto no período em que o Brasil era o Império do Café, mesmo quando o processo econômico brasileiro se desenvolvia nas condições de economia incipiente nos moldes de um capitalismo tardio, com traços coloniais, dependente e mercantilista, ainda que no século XIX o mercantilismo já tivesse sido superado como modelo internacional, os pequenos e médios cafeicultores coexistiam, agiam e interagiam no tão afamado mundo das propriedades cafeeiras, formando neste caso um contingente com poder político e econômico.  Pois fazendo parte ativa dos Corpos da Guarda Nacional se viam como  verdadeiros  baluartes da independência e a integridade do Império  e braço de Sua Majestade Imperial Defensor Perpétuo do Brasil .
Fig.5 Sua Majestade Imperial Dom Pedro II em 1842 
fonte: http://imperiobrazil.blogspot.com.br/2012/01/dom-pedro-ii-parte-i-em-montagem.html.
Referências:

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[1] Mestre em História Social,Economista,Professor Universitário do UGB Volta Redonda,membro do IEV- Instituto de Estudos Valeparaibanos,da Academia Resendense de História e da Academia de História Militar Terrestre do Brasil.
[2] Diogo Antônio Feijó, também conhecido como Regente Feijó ou Padre Feijó (São Paulo, batizado em 17 de agosto de 1784 — São Paulo, 10 de novembro de 1843), foi um sacerdote católico e estadista brasileiro.Considerado um dos fundadores do Partido Liberal. Pode-se resumir bastante sua vida afirmando que exerceu o sacerdócio em Santana de Parnaíba, em Guaratinguetá e em Campinas. Foi professor de História, Geografia e Francês. Estabeleceu-se em Itu, dedicando-se ao estudo da Filosofia. Em seu primeiro cargo político foi vereador em Itu. Foi deputado por São Paulo às Cortes de Lisboa, abandonando a Assembléia antes da aprovação da Constituição. Era adversário político de outro paulista, José Bonifácio de Andrada e Silva. Era defensor da descentralização e de políticas liberais, entrando em conflito com a própria Igreja. Foi deputado geral por São Paulo (1826 e 1830), senador (1833), ministro da Justiça (1831-1832) e regente do Império (1835-1837).
[3] Líder da Revolução de 1842 em Minas Gerais. Foi vencido por Luís Alves de Lima e Silva, então barão de Caxias, na batalha de Santa Luzia. Preso e processado, foi julgado e absolvido por unanimidade em Mariana, sendo depois beneficiado pela anistia geral decretada pelo imperador Dom Pedro II.
[4] Honório Hermeto Carneiro Leão, primeiro e único visconde com grandeza, conde e marquês de Paraná  (Jacuí, 11 de janeiro de 1801 — Rio de Janeiro, 3 de setembro de 1856), foi um estadista, diplomata, magistrado e político brasileiro. Nascido em uma família de poucos recursos, Paraná cursou Direito na Universidade de Coimbra. De volta ao Brasil, foi nomeado juiz de fora em 1826 e, mais tarde, promovido a desembargador do Tribunal da relação de Pernambuco, embora tenha exercido suas funções na corte. Em 1830, foi eleito para representar Minas Gerais na Assembleia Geral Legislativa, sendo reeleito em 1834 e 1838, e ocupando o cargo até 1841.
[5] A Queluz em questão não é a da cidade vizinha da província de São Paulo, mas atual cidade mineira de Conselheiro Lafayette.
[6] José Clemente Pereira, também conhecido como José Pequeno (Ade, Castelo Mendo, 17 de fevereiro de 1787 — Rio de Janeiro, 10 de março de 1854), foi um magistrado e político luso-brasileiro. Liderou as manifestações populares do Dia do Fico. Foi deputado geral, ministro dos Estrangeiros, ministro da Justiça, ministro da Guerra, Conselheiro de Estado, ministro da Fazenda e senador do Império do Brasil de 1842 a 1854. Foi provedor da Santa Casa de Misericórdia e sua viúva foi agraciada com o título de condessa da Piedade.
[7] José Feliciano Pinto Coelho da Cunha nasceu na Fazenda da Cachoeira, a dois quilômetros da vila colonial de Cocais (hoje, distrito da sede Barão de Cocais) e foi batizado em 16 de dezembro de 1792 na Capela de S.Ana de Cocais - Igreja São João Batista do Morro Grande, Barão de Cocais-MG com o nome de José Feliciano Pinto Salvador Antônio Martins Lopes Coelho da Cunha. Filho do brigadeiro Antônio Caetano Pinto Martins Lopes Coelho da Cunha, ele foi enviado pelos pais para estudar no Rio de Janeiro, onde acabou ingressando no Exército Imperial, alcançando a patente de tenente-coronel.Era primo de Felício Pinto Coelho de Mendonça, o primeiro marido da marquesa de Santos, D. Domitila de Castro.
[8] Herculano Ferreira Pena (Serro,* 1800 — 27 de maio de 1867) foi um professor, jornalista e político brasileiro.Foi deputado geral de 1838 a 1844, presidente de várias províncias do Brasil e senador do Império do Brasil de 1855 a 1867.Foi presidente das províncias de Minas Gerais, do Espírito Santo, do Pará, de Pernambuco, do Maranhão, do Amazonas, de 22 de abril de 1853 a 11 de março de 1855, da Bahia e do Mato Grosso, de ? a 14 de maio de 1863.
[9] José Joaquim de Lima e Silva Sobrinho, primeiro e único visconde e conde de Tocantins (Rio de Janeiro, 7 de outubro de 1809 — Rio de Janeiro, 21 de agosto de 1894) foi um militar e político brasileiro, tendo atuado como coronel na rebelião mineira de 1842. Depois de ter largado a vida militar, foi lavrador e depois comerciante de grande prestígio no Rio de Janeiro, sendo Presidente da Associação Comercial desta cidade e do Banco do Brasil. Foi também político, filiado ao Partido Conservador (Brasil Império), tendo exercido o cargo de deputado pela província de Minas Gerais, na 8ª legislatura, e pela do Rio de Janeiro, nas 10ª e 11ª legislaturas, de 1857 a 1864, e nas 13ª e 14ª, de 1867 a 1872. Já no final da vida, exerceu alguns cargos públicos, principalmente na direção de algumas instituições, como a Sociedade Asilo dos Inválidos da Pátria, do qual foi o seu primeiro diretor em fevereiro de 1867.
[10] Decreto nº180 de 18 de Junho de 1842 (Municípios Paulistas incorporados a província do Rio de Janeiro.
[11] Candido José de Araujo Viana (Marquês de Sapucaí), filho legítimo do Capitão-Mor Manoel de Araujo da Cunha e de D. Mariana Clara da Cunha, nasceu em Congonhas de Sabará, a 15 de setembro de 1793.
 Foi provido pelo Conde de Palma, Governador e Capitão-General da capitania de Minas Gerais, no posto de 2º Ajudante das Ordenanças do termo da vila de Sabará. O Príncipe Regente D. João confirmou esse ato, assinando a respectiva patente, em 9 de fevereiro de 1815. Estudou preparatórios em sua terra natal e, seguindo para Portugal, matriculou-se, a 15 de outubro de 1815, na Faculdade de Leis da Universidade de Coimbra, recebendo o grau de Bacharel, a 9 de junho de 1821.Regressando ao Brasil, foi nomeado Juiz de Fora da cidade de Mariana, em decreto de 19 de dezembro de 1821, e Provedor da Fazenda dos Defuntos e Ausentes, Resíduos e Capelas da mesma cidade, em alvará de 23 de março do ano seguinte.